Tuesday, September 25, 2007

JM Classics Vol. 1

Eae!

Uma das vantagens de se ter um scanner é poder preservar a memória dos seus trabalhos, guardar para as gerações futuras. O que na prática quer dizer revirar uma pá de caixas velhas e gravar em DVD um monte de coisas toscas só para poder envergonhar seu filho na frente dos amiguinhos dele daqui...sei lá...uns 15 anos.

Mas, falando serio, pra que esperar tanto tempo, certo?

Deixando a palhaçada de lado, minha idéia é caçar coisas legais (ou bizonhas) do meu passado longínquo e postar aqui. E nem é tanta coisa assim.

Isso serve como curiosidade e para que vocês vejam que eu também produzi coisas bem toscas quando era mais pirralho.


Jack (+ ou - 1990) - Por volta dos 15 anos entrei em um curso de HQs e caricatura. E uma das primeiras tarefas era criar tirinhas, tipo as que saem no jornal. Daí nasceu "Jack", um cara meio malandro idiota e doidão. Óbvio que para a minha cabeça psicopata de hoje em dia as piadas são bem inocentes (e até bestas), mas eu gosto delas. Se um dia fosse voltar a fazer tiras acho que ressuscitaria o personagem. Na época, acho que não fiz mais de seis tiras (e dessas achei 4 até agora), mas Jack daria origem a um outro personagem (que mostro mais tarde), que por sua vez daria origem muuuuuuuuuuuitos anos depois ao SPY. A reciclagem de idéias ainda vai salvar o mundo!




O NINJA (+ ou - 1990) - Meu primeiro personagem real, de verdade de quadrinhos. Mais um fruto do curso do SESC, foi uma parceria junto com um desenhista chamado Augusto. Era a primeira vez que eu podia escrever qualquer birosca que eu quisesse num roteiro e tinha um doido pra tentar desenhar. A premissa era o básico do plágio noventista: um ninja era transportado do Japão feudal para a Nova York do futuro junto com seus três inimigos magos. Tinha partes copiadas tanto de Ronin do Frank Miller quanto do clássico Aventureiros do Bairro Proibido mas também tinha seus momentos. Tirando o amadorismo da coisa e a bobagem da premissa, foi o esquema de "trabalho" mais interessante e eficiente do qual já participei: eu escrevia as historias entre quinta e sexta-feira, levava no sabado para o desenhista e uma semana depois tinha tudo pronto nas mãos. Se a memória não me falha foram 11 histórias ao todo, antes que eu desencanasse sem motivo aparente. A grande curiosidade das páginas a seguir é que ela mostra um pouco da primeira picaretagem da minha carreira: na época (e às vezes ainda hoje) eu tinha seríssimos problemas pra fazer diálogos que envolvessem mais de dois personagens. Para me livrar do sacrifício de escrever as partes em que apareciam o ninja e os três magos, resolvi inventar que os vilões haviam enfraquecido demais durante a viagem no tempo. E o único meio de se salvarem era o ritual da unificação, que aconteceria algumas páginas mais tarde. Ou seja, os três magos viraram um só e acabaram meus problemas. Ah, sim: essa "arte-final" horrivel não é culpa do desenhista. É minha, que resolvi brincar com a minha caneta nanquim encima de uma copia reduzida.


ZineInsano (1994) - Este fanzine é histórico na minha vida por vários motivos. O primeiro é que marcou minha primeira parceria com Greg Tocchini (depois vou scanear a história para vocês verem. Mas sem empolgação: o roteiro sux) e o segundo é que foi justamente ele quem levou nós dois até a Dragão Brasil. Foi um exemplar desses que entreguei ao Cassaro na tentativa de publicar minha primeira HQ (e a gente enganou ele direitinho!). A edição contava também com trabalhos de Paulo Padilha, Fernando Aoki e Sheila . A capa é uma ilustração minha tratada digitalmente pelo Aoki através dos "moderníssimos" recursos da época. Foi meu último trabalho como amador.


Amanhã tem o volume 2!

Cheers!

T.

2 comments:

Kajiya said...

Uia, passado escondido vindo a tona.

Poxa, vc largou a carreira de desenhista para seguir como escritor? Deveria ter continuado nas duas? Vai saber...

o/

Doc Hair said...

Voz do Além*

"O teu passado te condena!"