Friday, August 29, 2008

Manual 3D&T Alpha - Preview #1

Hey!

E então você viu a notícia da volta gloriosa (assim esperamos) do 3D&T e ficou aí sentado, relendo suas Holy Avenger, fantasiado de Mestre Arsenal e pensando se o Cassaro vai ou não enfiar um monte de ilustração repetida no livro novo. Ninguém quer enganar você aqui: ele vai (alguém esperava que não? Como vocês acham que a gente faz pro livro sair baratinho? Com desejo de DragonBall?).

Mas é lógico que vão ter várias novas também! A gente precisa ter o que repetir depois, certo?

Piadas à parte, segue abaixo uma das ótimas ilustrações da incrível Erica Awano para o Manual 3D&T Alpha. Para ampliar é só clicar na dita cuj a (na ilustração, não na Erica).


Cheers!

T.

Metallica - My Apocalypse

Aye!

Já que o assunto de ontem foi Metallica, não custa nada dar a notícia: James, Lars e companhia colocaram no ar, no site oficial, mais uma música de Death Magnetic. Desta vez é "My Apocalypse.

Para oyvir, basta clicar no banner logo abaixo.



E olha, se for tudo desse jeito...segura os caras!

Cheers!

T.

Thursday, August 28, 2008

Concurso 3D&T - News!

Oy!

Boas notícias, senhoras e senhores! Em primeiro lugar, o prazo: de acordo com projeções numerológicas e estudos dos astros feitos pelos cientistas e peritos do Laboratório, a data escolhida para o fim do "Concurso 3D&T" será 15 de setembro.

Em segundo lugar, adivinhem! Teremos um prêmio para o vencedor!

Graças à gentileza do Guilherme, a Jambô irá enviar ao primeiro colocado um exemplar do novíssimo Manual 3D&T Alpha! Não é legal?

Espalhem as boas novas por aí e mãos à obra! Alguns trabalhos já chegaram, mas queremos muito mais. Não tornem nosso trabalho mais fácil do que deve ser...

Cheers!

T.

Metallica - Death Magnetic?

Hey!

Como qualquer outro fã de rock pesado, sou mais um que aguarda ansioso o lançamento do novo álbum do Metallica, Death Magnetic, com chegada às lojas prevista para dia 12 de setembro. A expectativa se justifica por dois motivos: a banda demonstrou estar em sua melhor forma no álbum anterior, St.Anger (2003), e a produção do trabalho mais recente ficou nas mãos de Rick Rubin - o cara responsável pelos últimos álbuns do inigualável Johnny Cash (além de Danzing, Slayer e outros).

Acontece que hoje em dia (ou melhor, desde que o Napster apareceu há quase dez anos) ninguém mais espera o CD chegar na loja pra comprar. A coisa mais normal do mundo é um álbum cair na rede muito antes de seu lançamento, às vezes em sua versão preliminar ou na forma de demo. Às vezes como produto final mesmo, gerando até a dúvida se o que acontece é sacanagem de algum espertinho ou estratégia de gravadora.

Por conta de tudo isso, semana passada resolvi procurar Death Magnetic no soulseek. E, pra minha surpresa, encontrei o álbum inteiro disponível. Baixei todas as músicas e fui ouvindo uma por uma, em companhia de dois amigos fãs da banda (e músicos).

A impressão que ficou foi a de uma volta às raízes de álbuns clássicos como And Justice For All e Master of Puppets. Gravação crua, solos rápidos e precisos e James Hetfield soando como o moleque imberbe daqueles tempos. E foi aí que a coisa começou a ficar estranha.

Na empolgação, nem tinha notado que o nome das músicas que eu tinha baixado não batiam com a lista divulgada recentemente pela banda. Ou seja: não era Death Magnetic. Mas era Metallica, certo? Soava como Metallica pelo menos. Quem sabe era alguma coleção de demos perdida no tempo?

O Google, como sempre, foi quem tirou a dúvida e acabou com a graça de nós três.

A banda na verdade se chama Eternal Decision e toca o que alguns chamam de "metal cristão". E pra ser sincero, no fim das contas, não é ruim não. E apesar dos temas "do Bem", soa muito como o antigo Metallica (com uma pitada de Pantera). O que está longe de ser ruim.

Infelizmente para todos nós (e felizmente para a banda), Death Magnetic parece que só dia doze mesmo...

Cheers!

T.

Wednesday, August 20, 2008

Concurso 3D&T!

Yah!

Se tem uma coisa que o Laboratório do Dr. Careca valoriza é bom humor e criatividade (ou seja: duas coisas, idiota). É algo que a gente tem em comum com 3D&T, o sistema nacional MAIS QUERIDO DO BRASIL (vocês aí de trás ouviram ou a gente precisa gritar ainda mais alto?).

Onde é que eu vou chegar com essa auto-promoção toda? Calma, espertinho. Já tô acabando.

Hoje recebi o link para uma ótima fan-art de 3D&T (de autoria de nosso participativo amigo The Quaresma) e que vocês podem conferir abaixo:


Pretty cool, huh? Pois é.

Pensei, pensei e tive uma idéia: Vamos fazer uma porra de concurso, diabos!

Vai funcionar assim: você inventa um anúncio ou arte criativa (e de preferência engraçada), com alguma frase legal promovendo o 3D&T e tendo como tema a volta do sistema. Vale qualquer tipo de técnica de desenho ou alteração de fotos por meio de qualquer programa, mas o único formato aceito será jpg. De preferência em um tamanho propício para a Internet.*

Não vale usar fotos de personalidades quase esquecidas do RPG nacional ou aloprar as mesmas ou seus trabalhos porque isso é feio, anti-ético, bobo, covarde e o Dr. Careca não gosta (Tá. O Dr. Careca gosta, mas não pode mesmo assim. Vamos manter a classe).

Feito isso, envie seu e-mail com o material em anexo para carecast.lab@gmail.com com o subject "Concurso 3D&T". Vale mais de uma arte por pessoa, dentro dos limites do bom senso (hmmm...bom senso é meio difícil Ok. Três artes por pessoa no máximo). As mais legais serão postadas no blog e eu provavelmente vou pedir para o Cassaro escolher um vencedor. Simples, não?

"Mas o que eu ganho?" - pergunta o rapazinho que teve cinco aulas de Photoshop na oitava série e usa aquela plaquinha tosca do Naruto na testa.

Por enquanto, apenas o privilégio de ter sido escolhido pelo "Grande Deus Criador 3D&Tista". Mas quem sabe eu não consigo convencer o Guilherme da Jambô a transformar essa zona toda em promoção oficial e a gente belisca alguma coisa, não é mesmo?

É isso. Chega. Mão na massa galera!

E agradeçam ao Quaresma. A culpa é toda dele.

Cheers!

T.
*se você não sabe mexer em nenhum programa do gênero, não me pergunte. O Google tá aí pra isso.

Servindo Bem para Servir Sempre!

Ae!

Olha, devo gostar muito de vocês mesmo. Sei o quanto era complicado achar alguma coisa no site, encontrar aquele post supimpa que você queria tanto mostrar para impressionar aquela sua nova namoradinha indie/riot/nerd/rocker que surpreendentemente não te acha um psicopata/nerd/assassino/cdf.

Bem, como dizem os cacetas: seus problemas acabaram!

Passei duas das minha preciosas tardes colocando marcadores (ou tags) em CADA UM dos 240 posts do Laboratório. E sim, amiguinho, dá um trampo do cacete.

Agora, quando você quiser encontrar algo, basta clicar em uma das categorias na coluna da direita e se divertir. Tudo bem, a diferença entre - por exemplo - "Miscelânias" e "Dr. Careca" é totalmente subjetiva e provavelmente só uma das minhas várias personalidades sabe com que base cientifica um post é qualificado como uma ou outra... mas quem disse que ia ser tudo fácil, certo?

Podem me agradecer depois, quando eu dominar todo o mercado de RPG e me transformar no Deus Nerd Supremo!

Bwahahahahahahahahahahahaha!

Cheers!

T.

Tuesday, August 19, 2008

I Like Chinese 2 - A Revanche

Ho!

Lembram quando eu noticiei aqui a descoberta feita pelo Luiz do Subáca? Sobre como aquela musiquinha grudenta da propaganda do McDonald's era, na verdade, uma plágio descarado e muito cara-de-pau de uma composição dos humoristas do Monty Phyton? Pois então.

Não é que eu tava vendo TV hoje e percebi que mudaram a melodia do diabo da música? No mínimo alguém com bom senso ou medo de processo resolveu tomar alguma providência.

É isso aí! Subáca neles!

Cheers!

T.

Tormenta e Daemon na Bienal!

Hullo!

Começou dia 14 e segue até dia 24 a vigésima edição da "Bienal Internacional do Livro de São Paulo" . A Editora Jambô e a linha Tormenta marcam presença no evento através do stand da Daemon Editora.

É só seguir o mapa e preparar a carteira!



Cheers!

T.

Monday, August 18, 2008

Landau 66 - Pre-Estréia!

Hey!

Finalmente!

Nesta sexta-feira, dia 22 de agosto , rola a pré-estréia de Landau 66, curta metragem escrito por este que vos fala e direção do meu camarada Fernando Sanches dentro do "Festival Internacional de Curtas-Metragens de São Paulo".

E embora não seja exatamente uma estréia mega foda em circuito nacional, sou obrigado a dizer que já começou a rolar um frio na barriga. Só sei que vai ser demais ver a história que eu escrevi passando na tela grande. Mais um sonho realizado que eu posso riscar da minha listinha.

Abaixo segue um convite virtual com os dados da exibição, locais e tal. Só lembrando que este convite não tem valor no festival. A entrada é gratuita mas é preciso colar lá uma hora antes para retirar o ingresso.

Espero todo mundo na sexta!



Cheers!

T.

Diário de uma Trilogia: Episódio 5

Wassup?

Phew! Faz tempo desde o último episódio, não? Nem vou me estender muito.

O fato é que falta pouco agora. Muito pouco.

O Leonel está na fase final da parte dele. Eu, por outro lado, estou em dois estágios diferentes. Passei um dia desses as correções do final da primeira metade do livro, mas ao mesmo tempo estou quase no fim da leitura da segunda parte.

Well, o que posso dizer a respeito?

Tem muita coisa rolando na história. Muitas mudanças importantes, permanentes e - o que é mais importante - inesperadas. Há um grande acontecimento que vai deixar muita gente de boca aberta e batendo a cabeça na parede. E sim, isso é uma promessa.

Ah sim! O povo que adorou a capa de "O Crânio e o Corvo" pode comemorar: o Greg gentilmente topou fechar a trilogia com chave de ouro e é o responsávbel pela capa do novo volume. É muito provável que a gente divulgue alguns esboços assim que tivermos algo em mãos.

Também não custa lembrar que na Dragon Slayer deste mês teremos um novo preview (que embora não entregue muita coisa da parte mais ampla da história é um dos capítulos mais legais até aqui), onde também será divulgado finalmente o título do romance. Que curiosamente foi decidido antes mesmo do plot, há mais de um ano atrás.

Por enquanto é isso. O fim está próximo.

Cheers!

T.

Friday, August 15, 2008

Dr. Careca For President!

Ho!

Well, ao que parece a fama deste humilde doutor que vos fala atravessou fronteiras. Sabe-se lá como, um grupo de americanos resolveu que "Dr. Careca" seria um ótimo nome para a presidência dos Estados Unidos. Tá aí o vídeo que não me deixa mentir.



Se for eleito, distribuirei livros básicos de 3D&T para toda a população! E tenho dito!

Cheers!

T.

Monday, August 11, 2008

Carecast #4 - Especial San Diego - The Making of!

Hola!

No último sábado rolou mais uma gravação do Carecast, desta vez contando com o relato de nosso dois enviados especiais - Breno Tamura e Rod "Zuleba Jones" Reis - sobre a San Diego Comic-Con.

E como já vem se tornando tradição, resolvemos brindar nossos leitores com mais imagens e vídeos dos bastidores! Conheça o segredo dos verdadeiros mestres!

Igor, o jovem José Wilker se prepara para mais um Carecast

Gifts, gifts, gifts

Zuleba e Breno, empolgados com a Comic-Con

Problemas técnicos!

Oh não! Venom sequestrou o Dr. Careca!

Ainda bem que o Amigão da Vizinhança estava lá...

...com seu truta Lanterna Verde!

Zulu, o filósofo do biscoito chinês!

Vocês achavam mesmo que o Igor decorava aquilo tudo?

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Cheers!

T.

O Modo Como Às Vezes As Coisas Acontecem - Parte 2


Yay!

Sem enrolação. Aqui vai a segunda parte de "O Modo Como Às Vezes As Coisas Acontecem".

O Modo Como Às Vezes As Coisas Acontecem
Parte 2


Gente, como aquilo foi horrível! O Sr. D tinha atirado no B. J. e eu não podia fazer absolutamente nada. Fiquei petrificada igual umas daquelas bonecas bestas que não mudam de posição.

Tudo o que eu podia fazer era olhar para ele. E o jeito como ele olhava para mim. . . nessa hora eu tive MESMO certeza de que ele me amava de verdade. Nessa hora bateu um remorso. E se ele não estivesse namorando com a Sarah Derkins? E se eu estivesse enganada?

Juro que queria chegar perto dele para pedir desculpas, mas tinha medo que ele estivesse MESMO morto. E eu nunca tinha visto alguém morto DE VERDADE. Tinha visto o tio Lawrence, mas ele estava velho. E velhos não contam já que a gente sabe que eles vão morrer mais cedo ou mais tarde. Tinha medo de descobrir que nunca mais ia ter o B. J. do meu lado.

Pensando nisso tudo agora, acho que aquilo foi um milagre. Nunca contei isso para ninguém porque sei que ninguém vai acreditar. Nem mesmo a Susan ia me levar a sério. Sei disso.

Até para mim é difícil de entender às vezes. Só sei que depois do tiro o Sr. D andou até onde o B. J. tinha caído. Lembro que comecei a gritar porque podia ouvir o B. J. tentando falar e não conseguindo. Parecia que ele tinha alguma coisa entalada na garganta. Quando vi aquela mancha enorme na parede gritei mais ainda. Quase fiquei sem voz e juro que achei que meus pulmões iam estourar!

Então aconteceu a segunda coisa estranha do dia. Quando o Sr. D chegou bem perto do B. J. houve um brilho igualzinho ao flash daquelas máquinas fotográficas bem antigas, de quando ainda não existia filme colorido. E eu desmaiei.

Só me lembro depois de acordar no hospital com o B. J. do meu lado, sorrindo daquele jeito que só ele sabe! Ele olhou para mim e disse: "Tá tudo bem, amor!"

Fiquei tão feliz! Ele estava vivo e inteiro! Parecia até que não tinha acontecido nada (mas eu sei que tudo o que aconteceu foi verdade porque quando a gente foi ao apartamento a porta continuava quebrada e a mancha vermelha continuava lá).

E é aqui que entra a minha explicação. Pode parecer uma idéia maluca mas eu acho que faz sentido. Lá vai.

Eu acho que o Sr. D era um anjo. Igualzinho àqueles que aparecem naquelas pinturas antigas, com asa e tudo. Só que ele tava disfarçado de homem. Acho que o jeito que Deus encontrou de colocar os anjos entre nós sem que a gente perceba. É como o meu tio que era mágico e não contava o segredo dos seus truques de jeito nenhum. Acho que o Sr. D. foi mandado para juntar eu e o B. J. de novo. Para mostrar que a gente foi feito um para o outro e que nunca ia conseguir viver separado. Acho também que ele voltou para o céu, já que a gente nunca mais viu ele. Tentei contar tudo isso para a minha mãe e ela acha que eu posso estar certa. Ela lê muito sobre isso nas revistas.

Essa é a minha idéia. Eu e o B. J. nunca mais brigamos depois daquilo e ele mudou muito. Acho que foi uma daquelas coisas que "mudam a vida da gente para sempre", como diz a minha avó. E no caso dele, foi para bem melhor.

Ah! Quase ia esquecendo! A Sarah Derkins mudou para a Europa com a mãe dela!!! Isso quer dizer que eu posso esquecer qualquer perigo do B. J. se apaixonar por ela não é mesmo? Pode ser que o Sr. D. seja meu anjo da guarda e, não sei porque, as vezes penso que de algum modo ele ainda continua cuidando de mim. . .

Com uma ajuda dessas, quem sabe eu e o B. J. possamos ser felizes para sempre?

* * *

Que não me culpem os puritanos, por favor. Creio que a explanação sobre a conduta instintiva de cada criatura já deve ter sido o suficiente para que todos possam entender os meu atos. Não? Pois bem. . .

Pouco ou nada se sabe sobre as criaturas dos reinos inferiores e menos ainda se saberá no decorrer dos séculos. Há um consenso entretanto que nos rotula, tais criaturas, como seres de certa forma divinas. Pois não é o demonio uma criação divina já que foi concebido pelas mãos abençoadas do mesmo Deus que criou o homem?

E mesmo assim fomos amaldiçoados! Condenados por toda a eternidade. Não temos corpo e não conhecemos a matéria. Nossa existência é uma sombra negra como a escuridão e vaga como um vulto.

É só quando partilhamos da comunhão com o homem, quando maculamos o santuário da mais querida das criaturas, violando todas as leis sagradas a que somos submetidos, é que podemos sentir o gosto do que é realmente a verdadeira vida.

Tomei o corpo que ocupei nos últimos séculos de um jovem soldado da Segunda Grande Guerra. Tomar e usurpar são os verbos mais corretos, por assim dizer. É como expulsar o dono de uma casa, passar a habitá -la em seu lugar e jogar o antigo morador ao relento para que morra congelado. É assim que fazemos.

Ao fim da Guerra voltei à sua casa. Matei o que restara de sua família apenas por diversão e passei a viver uma vida de andarilho. Semeei o caos por onde passei, pois não há outra função para uma criatura como eu se não esta. O julgo da Besta é forte e sua marca dura por toda eternidade. E assim será para todo o sempre.

Conheci prostitutas, dançarinos, presidentes e mascates. Vi e causei dor, morte e destruição como jamais poderia ter imaginado ser possivel.

Depois de tantas décadas, entretanto, este corpo já não me apresentava mais novidades. A aparência pode ser mantida facilmente mas nada pode deter o avanço dos exércitos implacáveis do tempo. Assim, o corpo envelhecia internamente como uma fruta sendo comida por dentro. Com o tempo, não havia mais nada que ele pudesse me oferecer.

E então surgiu o jovem B. J.

Creio que não é necessário que eu me estenda em explicações didáticas quanto a este fato ou a mecanica do processo. É muito mais do que eu poderia ou gostaria de revelar. Fiz o que fiz e, como é de se esperar, não me arrependo nem um pouco. Muito pelo contrário, me delicio com o resultado. Mesmo que esperasse mais cinco décadas, jamais teria feito uma escolha tão acertada.

O corpo jovem de B. J. é sem dúvida maravilhoso. Pamela, a namorada do antigo proprietário deste receptáculo de almas, é uma garota doce e sensível. Sua paixão por mim transborda pelos poros e é quase palpável. Sua felicidade extrema me machuca, mas é uma dor agradável como a apreciada pelos sadomasoquistas. O que mais poderia eu querer depois de tanto tempo?Acho que vou gostar muito desta nova vida. Muito MESMO.

E quando chegar o momento e eu estiver realmente entediado, cansado de tudo. . . bem, basta seguir os INSTINTOS.

Sabe como é, velhos vícios são praticamente impossíveis de se largar. . .

* * *

Bem, a merda aconteceu. É tudo que eu posso dizer à respeito.

Depois que o homem -de -sobretudo -e -chapéu me deu a mão, uma grande luz cegou meus olhos. Quando consegui abri -los de novo já estava aqui. E não sei bem por que, mas não fiquei nenhum pouquinho surpreso quando percebi que não havia nenhum cara parecido com o Al Pacino . . .

Posso te dizer uma coisa com toda a segurança: o lugar não é de todo mal (hehehe. . . é um belo trocadilho). Tudo bem, às vezes a decoração é tão de mal gosto que parece tirada dos cenários do antigo seriado do Batman (aquele com Adam West e Burt Ward) e o clima não é dos mais estáveis. Às vezes chove torrencialmente, às vezes neva e às vezes o calor é insuportável. Mas você acaba se acostumando.

De certa forma chega ser engraçado ver todos esses caras esquisitos e essa porrada de personalidades passeando para lá e para cá como se fosse a coisa mais normal do mundo. Também não existe muita obrigação, não é necessário trabalhar ou fazer qualquer outra coisa. Sem obrigações, sem deveres e sem absolutamente NADA para fazer. Como eu disse, o lugar é até legal.
Desde que não se comece a pensar demais.

Desde que eu não pense em Pamela, em Paul, em como as coisas eram divertidas, em como eu passava de carro na frente da escola para impressionar as garotas do Colegial, em como eram boas as "Sessões Sexta -Feira 13", em como era gostoso comer Sucrilhos com suco de laranja assistindo filme. E que talvez eu nunca mais possa escutar um CD do Pearl Jam, ver um acústico do Nirvana e tocar guitarra de novo. . .

E é aí que está o grande problema deste lugar. É como um grande parque de diversões com os brinquedos mais maravilhosos que você jamais viu em toda a sua vida. Só que TODOS estão quebrados. Não há tortura ou castigos. Nada de fogo, tridentes e chifres. Apenas uma ociosidade doentia. Um tédio acima de proporções. Uma atmosfera de opressão quase sufocante. Às vezes sinto como se estivesse inteiramente engessado e sentisse coceiras no corpo todo. Pode acreditar, a sensação é bem mais terrível do que a de ser cozinhado num daqueles enormes caldeirões, como a gente vê nos desenhos animados.

É claro que nem tudo é tão ruim.

Conheci um nativo (o nome ele é impronunciável e até que dá para andar com ele na boa, desde que se abra mão de ligar para esse lance de aparência) que me explicou algumas coisas. Bem, nem tudo está perdido. . .

Não sei porque o tal Sr. D (Esse nome é fantástico, não? Que senso de humor doentio. . . ) foi justamente me escolher. Não sei como ele fez aquilo, mas estou prestes a conseguir descobrir. De certa forma não é muito difícil conseguir as coisas aqui depois que se entra "no esquema". Basta não se esquecer dos favores que prometeu e cumpri -los um a um mais tarde. Uns são fáceis, outros mais complicados e envolvem coisas que deixariam qualquer cristão de cabelo em pé. Por mim pouco me importo. Já perdi as esperanças de me encontrar com Al Pacino no andar de cima.

O certo é que eu vou voltar. Pode ter certeza. Talvez demore um pouco, talvez seja amanhã. Mas eu vou voltar.

Tudo o que quero é Pamela de volta. E um corpo. Qualquer um.

Só assim vou poder voltar a ser um garoto comum. Um adolescente qualquer, como dúzias que existem por aí. De cabelo comprido até o queixo, calça rasgada, camisa de flanela à moda de Seattle, tênis surrado. . . Do tipo que muito provavelmente pode ser confundido com seu filho.

E talvez nós sejamos MESMO parecidos. Parecidos DE VERDADE.

Tão parecidos que talvez você sequer pudesse notar a diferença. Deu para entender?

Pense nisso com carinho quando colocar a cabeça no travesseiro, e não se preocupe.
Eu vou estar por perto. . .

Cheers!

T.

Friday, August 08, 2008

O Modo Como Às Vezes As Coisas Acontecem

Hey!

Faz uma cara que não escrevo um conto. Claro, temos aí "As Aventuras e Desventuras de Rykaard Ackhenbury" mas é um texto em série (que, por sinal, comecei em 2005) e por isso não conta.

A real é que eu nem sei por que parei. Acho que é porque, no fundo, gosto mesmo é de fazer diálogos. E, nesse caso, roteiros são mais legais.

Em outros tempos, porém, publiquei alguns contos na finada Dragão Brasil e vira e mexe alguém me pede para enviar algum deles por e-mail. O campeão de pedidos é, sem dúvida, "O Modo Como Às Vezes As Coisas Acontecem". O que particularmente me deixa muito satisfeito, já que até hoje acredito que este conto seja uma das coisas mais legais que já escrevi.

Por conta disso resolvi postar aqui o dito cujo, mantendo os erros cometidos na juventude e tudo mais. Para o post não ficar tão pesado, vou dividir em duas partes.

O curioso é que essa história foi feita originalmente para um trabalho de faculdade (não lembro a nota. Acho que foi 9). Era uma versão mais enxuta e tive o cuidado de inclusive escrever as partes dos personagens com estilos de letras diferente (na mão mesmo. Naquela época computador e impressora eram luxo). É o tipo de preciosismo que a gente só tem quando é moleque mesmo.

Enfim, espero que quem ainda não conhece o conto se divirta. E quem já conhece tem a chance de relembrar.

O Modo Como Às Vezes As Coisas Acontecem
Parte 1

Tudo bem. Por onde eu começo? Ah, OK. Sempre fui um cara normal. Tão normal quanto qualquer garoto de dezenove anos deve ser. Não fumava, não me drogava (tudo bem, experimentei maconha uma ou duas vezes mas isso todo mundo faz. . . ). Bebia às vezes no que poderia facilmente chamar de ocasiões sociais, mas isso também é normal. O fato, até onde ainda consigo me lembrar, é que eu era um garoto como qualquer outro. Do tipo que podia passar facilmente por seu filho.

Talvez eu até seja bem parecido com ele. Cabelo comprido até a altura do queixo, camisa de flanela à moda dos caras de Seattle, calça rasgada e tenis surrado. Devem existir pelo menos duas duzias de caras iguais a mim só nessa cidade. É como eu disse antes, eu era nada mais que um cara normal. Igualzinho a todo mundo.

Bem, pelo menos é o que eu costumava ser antes da merda voar no ventilador e o tal homem -de -chapéu -e -sobretudo ferrar com tudo. É nessas horas que eu penso como Deus deve ser sacana. Não sei porque diabos, mas sempre imaginei o Homem com o rosto do Al Pacino. Confiável, mas mesmo assim com aquele ar ironico e cínico. Do tipo que te olha com ternura mas que, se Ele assim desejar, pode por no seu rabo assim que você virar as costas. . .

O mais engraçado de tudo é que justamente aquela segunda feira tinha tudo para ser um dia como outro qualquer. Todo mundo tá cansado de saber como funciona qualquer segunda feira. Pela minha propria definição, é um dia que mistura "a falta do que fazer com a vontade de não fazer nada". É lógico que isso só funciona se você for um adolescente inconsequente, um vagabundo completo ou os dois. Quando se tem mulher e filhos para dar de comer e o senhorio bate na porta pelo menos três vezes por dia para cobrar o aluguel atrasado, a coisa muda de figura. Felizmente este último não era o meu caso.

Minha idéia para aquela estupidamente tediosa tarde era bem simples:ficar na sala de estar bem na frente da televisao, comendo um daqueles pacotes tamanho família de Sucrilhos ("mais duzentos gramas pelo mesmo preço") e tomando suco de laranja enquanto assistia a uma fita de vídeo que meu amigo Paul (um colecionador de filmes B que possuía desde coisas obscuras como "Billy the Kid vs. Dracula" e "Incridible Strange Creatures Who Stopped Living and Became Mixed Up Zombies", até clássicos como a série de filmes feitos por Ed Wood. Uma coletânea de preciosidades de valor inestimável. Pelo menos para ele. . . ). O cardápio cinematográfico daquela tarde não era dos mais promissores (se não me engano a história era sobre uma múmia da Amazônia que escapava de um museu em Nova Iorque e matava todos os frequentadores de uma discoteca local. Tudo ao som daquelas velhas músicas dance dos anos setenta. Coisa finíssima). De qualquer forma, a minha idéia era assistir aquela coisa só para passar o tempo. Algo para me ocupar a cabeça enquanto não aparecia algo mais interessante para fazer, entende?

Foi exatamente nessa hora que a campainha tocou. Era Pamela, uma das minhas atuais namoradas e, no momento, a única oficial (Ah, por favor. . . não me venha com essa cara de indignado. Você deve saber tão bem quanto eu que ninguém mais é fiel hoje em dia. . . ). Bem, ela entrou chorando, discutiu comigo por causa de um assunto banal do qual eu se quer me lembrava, pegou de volta o CD do Pearl Jam que havia me dado de aniversário e foi embora batendo a porta e fazendo tremer todos os meus quadros do Nirvana. Tudo isso em menos de cinco minutos.

O mais engraçado é que isso também era extremamente normal. Acontecia pelo menos duas vezes por mês. E era sempre do mesmo jeito: ela brigava, discutia, me acusava de um monte de coisas, armava o maior escândalo, pegava de volta alguma coisa que tinha me dado (dessa vez foi o CD, da outra foi uma camisa de flanela vermelha e verde que ela tinha me dado no dia dos namorados) e depois voltava em cerca de quarenta minutos para pedir desculpas e fazer as pazes. Parecia um roteirozinho de filme mexicano vagabundo. Daqueles que costumam passar na TV a Cabo às vezes. Tinha sido sempre assim. Todas as vezes.

Agora responda com toda a sinceridade: Como é que eu podia imaginar que, justamente daquela vez, ia ser diferente? Que à partir daquele momento tudo passaría a dar errado, que nada sería como antes?

Que aquela discussãozinha simples e imbecil podia se tornar a causa da minha própria morte?

* * *

Querido Diário.

Eu e a Susan sempre fomos grandes amigas. De verdade. Quer dizer, quando você conhece alguém há muito tempo acaba tendo um certo tipo de cumplicidade. Nós não temos segredos uma com a outra. Jamais mentimos. Somos amigas MESMO.

Foi por isso que ela me contou tudo sobre o B. J. Ela não é como a Dana, que sabia de tudo e nunca me disse nada. Não mesmo.

A gente tava justamente no shopping comprando uma camisa nova pra ele quando ela me deu a notícia. Se soubesse antes não tinha nem me dado ao trabalho de sair de casa. . .

O que ela me contou foi que o B. J. tava saíndo com mais três meninas além de mim. E uma delas era a nojenta da Sarah Derkins. Dá pra imaginar uma coisa dessas?

Assim que fiquei sabendo fiquei LOUCA de raiva. Na hora mesmo resolvi que tinha que falar com ele. Desta vez ele ia ter que ouvir TUDO que eu tinha pra falar. TUDO MESMO.

Fui até o prédio de carro com a Susan mas ela foi embora logo depois. Disse que eu tinha que resolver isso sozinha. Subi pelo elevador e acho que fiquei pelo menos uns três minutos parada em frente à porta do apartamento dele. Eu chorava muito, minhas mãos tremíam e eu não conseguia tocar a campainha. Acho que nunca fiquei tão nervosa!

Quando consegui tocar ele veio rapidinho. Acho que até já sabia que era eu. Ele tava lindo! Por pouco não esqueci de tudo e beijei ele ali mesmo. Mas quando lembrei do que a Susan tinha me dito e tentei imaginar ele beijando a Sarah Derkins, a raiva voltou com toda a força e eu entrei.

Falei tudo o que devía e mais um pouco. B. J. ficou totalmente sem ação. Parecía que ele quería dizer o quanto me amava, mas não tinha coragem. Bem, eu tinha que continuar com aquilo, então peguei de volta o CD do Pearl Jam que eu tinha dado de aniversário e fui embora batendo a porta. Peguei o CD só porque sabía que ele ia sentir falta. E eu nem gosto de Pearl Jam.

Foi na rua que eu encontrei o Sr. D. O nome era estranho mas ele era lindo! Era BEM mais velho que eu, acho que tinha uns vinte e dois. Usava um sobretudo preto maravilhoso e uma calça jeans preta bem colada. E também tinha um chapéu que dava assim um. . . ar de mistério.

Ele me viu chorando, se apresentou e perguntou o que tinha acontecido. Eu contei pra ele o que o B. J. tinha feito. Ele pediu pra que eu me acalmasse e disse que ia comigo conversar e acertar as contas com o B. J. Eu disse que tudo bem, que era uma boa idéia. Que a gente podia MESMO subir até lá.

Bem, não foi uma boa idéia. Eu devía ter entendido o que ele quis dizer com "acertar as contas".

* * *

Creio eu que desde tempos remotos e longínquos dentro da conturbada e, até certo ponto, absurda história da humanidade os seres humanos se perguntam sobre a natureza humana. Quais os padrões etéreos ou divinos que rejem nossas ações e pensamentos? O que é indiscutívelmente CERTO e o que é ABSOLUTAMENTE errado?

Foi sua incapacidade de entender o que realmente acontecia debaixo de seus próprios narizes que fez com que resolvessem então CRIAR um padrão que pudesse se tornar facilmente identificável e inteligível a todos. Algo que pudessem compreender sem muitos mistérios. Que pudesse colocar uma ORDEM no que se tornaría inexorávelmente CAÓTICO.

E foi deste modo que nasceram as leis, os rótulos e estereótipos criados pela
humanidade. Desde a suposta existencia divina, na qual eles se encontram surpreendentemente corretos, até os regulamentos que rejem a sociedade tornando -a viciada em seus próprios arquétipos.

Complicam algo que devería ser extremamente simples. Negam a resposta que parece óbvia simplesmente porque a verdade seria capaz de destruir qualquer vestígio de racionalidade.

E a resposta é esta:Não há moral na natureza humana. Não há padrões etéreos ou divinos. Há somente o INSTINTO, a força que reje não só a humanidade como TODOS os seres vivos deste e de outros mundos. Condenam um assassino à pena de morte simplesmente por ter matado outro ser humano. Somente porque seguiu seu INSTINTO.
Se um humano mata outro é porque a vítima era mais fraca. E se era mais fraca merecía morrer. É a famosa teoría da seleção natural de Darwin. E é deste modo que costumo agir na maioria das vezes. Sem restrições morais que servem somente para acorrentar o animal hediondo que existe dentro de cada um de nós. Deus plantou o homem, mas havía um verme dentro da semente. . .

Embora o instinto deva ser seguido impreterívelmente, creio que cada vítima deve ser escolhída cuidadosamente. Particularmente prefiro as mulheres, que são mais belas, tem um gosto mais doce e costumam gritar maravilhosamente em seus últimos momentos. Depois de um tempo acaba -se adquirindo a útil habilidade de identificar uma boa vítima à distância. É como se um alarme soasse toda vez que isso acontecesse.

E o alarme soou quando vi a pequena Pamela, chorando e tremendo em desespero. Era muito jovem, é verdade, mas o sabor de seu medo era doce e saboroso demais para ser ignorado. Não pude resistir. Tive que me aproximar.

Pelo que entendi ela havía tido uma séria desavença com o namorado, um rapaz chamado B. J. Ela parecía extremamente aflita, precisava de compania e quería VINGANÇA. Talvez fosse incapaz de dize -lo em voz alta ou de admitir para si mesma tal fato, mas era isso que ela quería. Podía ver em seus olhos.

É claro que seres da minha espécie não são dados a fazer favores a quem quer seja, mas aquela oportunidade em particular me parecía algo único. Podería completar todos os meus objetivos de uma única vez e ainda pregar uma peça em nosso jovem B. J. Além disso aquilo tudo prometía ser memorávelmente divertido.

E responda -me sem medo, meu caro: Há algo que fascine mais um DEMÔNIO do que DIVERSÃO?

* * *

Bem, depois que Pamela saiu não havía muito mais o que fazer além de esperar ela voltar (o filme além de ruim era comprido demais e ela iría acabar me interrompendo quando chegasse de volta com seu discurso de reconciliação plenamente decorado). Encostei a cabeça no braço do sofá e adormecí. Na verdade apaguei como uma pedra. Provavelmente esta foi uma das consequências do baseado que eu tinha fumado no banheiro vinte minutos antes (OK, ok. . . Vamos dizer que eu ainda cultivava o hábito de experimentar periódicamente). E tive um sonho bem esquisito.

Sonhei que estava numa cama enorme, com cinco mulheres (Não vou entrar nos detalhes sórdidos. Acho que dá para imaginar o que eu estava fazendo com elas). Dava para sentir na pele o toque de cada uma delas (e nem queira imaginar onde elas colocavam a mão). Provavelmente era a coisa mais real que eu já tinha experimentado num sonho.

Bem nessa hora eu ouvi um som forte, como o de um trovão ampliado por um enorme amplificador Marshall, e todas as mulheres se juntaram numa só ( a forma como a cena pareceu me lembrou um daqueles desenhos de massinha que eu costumava assistir quando era menor, enquanto minha mãe fazia o café da manhã). Esta nova mulher, resultado da fusão de todas as outras, era alguém que eu conhecia muito bem.
Era Pamela.

Ela me abraçava e beijava de um jeito que nunca tinha feito antes (Por que esse tipo de coisa só acontece em sonho?), dizia que me amava e que queria ficar comigo para sempre. Até aí tudo bem. Se o sonho tivesse continuado nesse ritmo eu provavelmente acordaría com uma certa parte do corpo em "posição de sentido" e com uma mancha enorme no sofá para limpar mais tarde. Mas não foi bem isso o que aconteceu.

A "coisa-que-era-Pamela" (é melhor chamar desse jeito, já que não era mesmo a verdadeira Pamela) colocou a mão no meu rosto e começou a deslizar os dedos pelos meus lábios. Seus dedos foram entrando dentro da minha boca lentamente até que sua mão inteira estivesse lá. Ela continuou forçando, empurrando o braço que descia como uma daquelas enormes cobras sul americanas. Dava para sentir a mão passando pela minha garganta, escorregando como um sabonete pelo esôfago e empurrando as paredes internas como um sinistro "carro abre -alas". Nessa altura praticamente seu braço inteiro estava dentro de mim. Eu quería reagir mas não conseguía. Não havía como escapar.

Quando ela finalmente alcançou o fundo, suas unhas se fecharam como garras sobre meus intestinos (isso é nojento! ). E então ela puxou. O som me lembrou mais ou menos o barulho que meu avô fazia quando arrancava uma cenoura do chão na velha fazenda da família. Desnecessário dizer que, mesmo no sonho, aquilo doeu pra caramba.

Foi nessa hora que eu escutei um segundo trovão. E acordei. . .

Se soubesse o que ia acontecer, juro que tinha continuado dormindo.

* * *

Como eu disse, o Sr D. subiu comigo. Ele era tão gentil e falava de um jeito
tão. . . tão culto! Sabe que se eu não gostasse tanto do B. J. eu até ficava com ele?

Mas isso não importa agora né? Bom, a gente chegou na frente da porta do apartamento do B. J. e tocou a campainha. Mas ele não respondeu! Provavelmente já tinha corrido para a casa da Sarah Derkins! Mal tinha terminado comigo e já tinha corrido para os braços da outra!

Eu já tava pensando até em desistir e ir embora mas ele segurou a minha mão de um jeito tão forte que eu desisti da idéia. Senti como se meu braço tivesse formigado quando ele encostou na minha mão. . . não dá para explicar direito. . .

Aí foi que aconteceu uma coisa super estranha. . .

O Sr. D mecheu a mão como se estivesse espantando uma mosca chata. . . E a porta saiu voando fazendo um barulhão! Acho que sei o que aconteceu mas não vou contar agora. . .

Então ele entrou no apartamento do B. J. e eu fui seguindo atrás, é claro! O B. J. tava deitado no sofá mas já tava começando a levantar. Fiquei só olhando para ele. Queria saber se ele tava surpreso em me ver. E tava mesmo!

Achei que daquela vez ele nem esperava que eu voltasse tão rápido. Ele olhava para a minha cara com um ar espantado, como se tivesse tomado um enorme susto. Achei que daquela vez eu tinha ganho a disputa. Tinha certeza que ele havia percebido o quanto me amava e que nunca mais ia se quer falar na Sarah Derkins. Sabia que aquela cara de bobo que ele fazia não era de medo. Era de paixão!

Pelo menos foi o que eu achei. Pelo menos té olhar para o lado e ver o Sr. D. segurando uma enorme espingarda daquelas que o meu pai usa para caçar nos feriados.
Pelo menos até ele apontar a arma para o B. J. . .

* * *

Tudo bem, eu confesso que estava REALMENTE assustado naquela hora. Acho que qualquer um ficaria. Não é todo dia que um maluco de sobretudo e chapéu invade sua casa em compania da sua namorada. Ainda mais em plena segunda-feira.

Acho que o mais difícil foi entender o que estava acontecendo. Além da desorientação natural causada por aquela situação fora de propósito (droga, o cara tinha arrebentado a minha porta!) ainda tinha o sono. Se me lembro bem, cheguei a pensar por um instante que ainda não havia acordado daquele maldito pesadelo

O fato é que logo em seguida comecei a me sentir dentro de um maldito conto do Stephen King ou num daqueles programas onde a câmera fica escondida enquanto os outros passam ridículo em público para a diversão de milhares de espectadores. Passou pela minha cabeça também que aquilo tudo podia ser um simples trote. Uma peça que Pamela havia resolvido pregar em mim em troca do meu "comportamento conjugal adolescente não convencional". Talvez Paul estivesse metido nisso também ( ainda lembro quando ele sumia durante as "Sessões Sexta Feira 13"que fazíamos em sua casa, somente para voltar fantasiado de Jason ou de Freddy Krugger. Era engraçado como as garotas se assustavam com aquela palhaçada. . . ).

A verdade é que tudo isso era um meio mais ou menos fútil de tentar fugir da realidade e ignorar aquela vozinha chata bem no fundo do meu cérebro que dizia: "Ei ,cara! Não quero ser chato mas isso aqui. . . bem, não sei como te dizer, mas o que está acontecendo aqui não é nenhuma abstração da sua mente retardada amiguinho. Isso é beeeem real". Eu ainda lutava para me segurar no conceito de que tudo não passava de uma versão "real life" de Além da Imaginação. Que era tudo de mentirinha. Mas aí. . . bem, aí eu vi a arma.

Era um rifle de caça calibre doze que o tal cara havia tirado debaixo do sobretudo. Não sei de onde aquela coisa surgiu exatamente (bem, AGORA talvez eu saiba) mas a coisa estava lá. Não sei porque, mas aquele cano atípicamente negro e reluzente me lembrava uma serpente prestes a me engolir. E ele apontava a arma para mim.

Daí para diante tudo aconteceu em câmera lenta. Tentei sair do sofá de uma maneira idiota e desajeitada. Meu braço esquerdo esbarrou no pacote de Sucrilhos. Os flocos de milho açucarados (com mais vitaminas e ferro!) tombaram próximos à embalagem já vazia do suco de laranja como uma enorme tempestade de neve repentina. O braço direito bateu no abajur da mesa de canto. Meus pés se enroscaram no tapete e eu caí de cara aos pés do homem-de-sobretudo-e-chapéu.

Levantei -me, ainda com aquela sensação de "slow motion". Até meu pensamento parecia mais devagar. Parece estranho falando deste modo, mas eu podia ver todos os detalhes naquela sala como se tudo fosse apenas um cenário congelado numa das fitas de vídeo do Paul. Olhei para o rosto do tal cara (uma mistura estranha do Clint Eastwood de "Os Imperdoáveis" e o Robert De Niro de "Cabo do Medo"). Olhei para os quadros na parede, para a marca de argila seca na parede perto do outro sofá (da época em que minha mãe ainda insisita em achar que tinha algum talento para escultora), para os posters do Nirvana e o olhar distante de Kurt Cobain. Olhei para Pamela e de novo para o cara.

Vi a mão dele se movendo para o gatilho. Ouvi o mecanismo da arma funcionando.

E então ele atirou.

A bala me atingiu na altura do peito destroçando minhas costelas como se fossem uma gaiola para passarinhos feita de bambu. A massa que costumava ser meus pulmões e os outros órgãos escaparam pela saída de emergência recém aberto bem no meio das minhas costas, formando uma mancha disforme e vermelha que dificilmente vai sair da parede antes dos próximos cinquenta anos. Meu corpo se moveu num arco como se tivesse batido de frente com uma Ferrari e atingiu o sofá. O móvel caiu para trás e minha cabeça bateu no frio chão de madeira.

Fiquei ali deitado, tentando respirar como um porco com asma e olhando para cima com os olhos vidrados. Tentei falar alguma coisa (qualquer coisa!) mas o sangue se acumulava na garganta e eu engasgava toda vez que tentava articular uma palavra. Tudo o que conseguia era pensar em todas as pragas e palavrões que havia aprendido durante meus anos de escola. E em como Pamela era linda, Deus do céu! Eu queria viver, casar com ela, ter vários filhos, levá -los ao jogo, comprar um seguro , uma TV de 33 polegadas , um carro do ano, uma casa de campo e. . . Deus, ela era linda!

Procurei o olhar de Pamela e encontrei o de meu executor. Ele olhou para mim por alguns instantes com aquele olhar semicerrado à la Clint Eastwood, como se toda a fumaça do mundo estivesse entrando direto nos olhos dele. Então o homem -de -sobretudo -e -chapéu estendeu sua mão em minha direção. Me esforcei ao máximo e ouvi o som de pelo menos mais meia dúzia de ossos se quebrando enquanto fazia isso, cuspi mais uma pequena poça de sangue coagulado e retribuí o gesto dele. Nossas mãos se tocaram.

E eu morri.


Cheers!

T.

Wednesday, August 06, 2008

Carecast - Especial Outtakes!

Yo-ho!

Se você não sabe, já devia saber: essa semana o blog faz 2 anos. Para não passar em branco, pensei em armar algumas surpresas. Esta é a primeira delas.

Quando se faz um trabalho de edição como é feito no caso do Carecast, muita coisa fica de fora. Pra vocês fazerem idéia, a gravação bruta do Carecast #3 tinha cerca de duas horas e quarenta minutos (a versão final ficou com menos da metade disso). E como a gente tem o costume de deixar os microfones gravando o tempo todo, não é difícil imaginar quantas pérolas memoráveis acabam ficando de fora. Quantas preciosidades ditas por nossos amados participantes acabam ficando destinadas apenas à nossa diversão privada.

Até agora.

Este primeiro especial resume em cerca de seis minutos o que há de melhor e de pior no lado negro do Carecast. Prepare-se para ouvir revelações bombásticas, observações chocantes e depoimentos emocionados.

Para salvar, clique com o botão direito do mouse e escolha "salvar link como":

Carecast - Especial Outtakes!


*ATENÇÃO: CONTÉM LINGUAGEM ADULTA. NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS.



Mais do que um presente a todos os nosso ouvintes e leitores, esta é uma homenagem sincera aos meus parceiros de Carecast. Acreditem: sem Breno Tamura, Igor e Rod "Zuleba Jones" Reis, este podcast não seria porra nenhuma (ou, no mínimo, seria muito menos divertido:)!

Valeu molecada!

Cheers!

T.

Tuesday, August 05, 2008

Carecast - O Podcast do Dr. Careca #3 *

Aee!

Acabou a espera! Para alegria de gregos, troianos e simpatizantes, está no ar a terceira edição do Carecast, o podcast do Laboratório do Dr. Careca! E além deste prezado Doutor que vos fala, a presença de Igor, Zuleba Jones e de nosso eterno convidado especial, Breno Tamura, é garantida!

A pauta desta vez inclui três ótimos assuntos: a vertente trash da carreira do diretor Robert Rodriguez; mortos-vivos, zumbis, suas origens e ramificações (um tema que definitivamente se recusa a morrer) e uma análise aprofundada do fenômeno "Batman - O Cavaleiro das Trevas" (afinal de contas, Heath Ledger merece ou não concorrer ao Oscar?).

Além disso, ouvimos os recados de voz deixados por nossos ouvintes e lançamos uma nova promoção. Desta vez você concorre a uma versão simples do DVD do filme "Planeta Terror"! Não dá pra perder uma boiada dessas!

Lembrando que você pode deixar o seu recado ou mensagem de voz usando o e-mail exclusivo do podcast: carecast.lab@gmail.com. Aguardamos sua participação!

Para ouvir, basta escolher a versão (para salvar, clique com o botão direito do mouse e escolha "salvar link como"):

Alta: Link

Baixa: Link (breve)

A versão streaming agora fica na barra do lado direito. É só clicar "Play" no player abaixo do banner do Carecast. Para ver a playlist basta clicar na setinha em cima do título.


Créditos:

Locução - Dr. Careca, Igor, Rod "Zulu" Reis e Breno Tamura
Edição - Dr. Careca
Coca-Cola Zero Morfética - Igor
Colocações Estrategicamente Colocadas e Cerveja - Rod "Zulu" Reis
Ruffles e Mais Cerveja - Breno


Este podcast contém trechos das seguintes trilhas sonoras e músicas:
Grim Fandango, Grindhouse, Ghosts I (Nine Inch Nails), Silent Hill 4 - The Room, Half-Life 2, I'm Your Boogie Man (Rob Zombie), Batman - O Cavaleiro das Trevas, Uno (Muse).

*ATENÇÃO: CONTÉM LINGUAGEM ADULTA. NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS.

Cheers!

T.

Monday, August 04, 2008

Dragon Slayer #21 - A Capa (versão final)!

Ho!

Agora sim, a capa da já polêmica edição #21 da revista Dragon Slayer em toda a sua glória e plenitude! Go Slayers!


Cheers!

T.