Hola!
Damn, por onde eu começo? A partir de hoje, dia 17 de março, estou deixando oficialmente a equipe responsável pela revista Dragon Slayer. Calma, é menos grave, trágico, dramático e melancólico do que parece.
Como qualquer um deve ter notado, já fazia tempos que eu não colaborava efetivamente com a DS. Durante os últimos meses, minha função era a de revisor e palpiteiro. Meu papel de editor acabou se tornando muito mais o de mediador entre o público que acessa a internet e a revista. Recentemente, deixei duas dessas funções e resolvi que não fazia muito sentido manter as outras.
Com a incorporação da equipe da editora Jambô à revista e sem qualquer função prática na edição, acho bobagem continuar respondendo pela mesma. Acredito que a equipe tem pessoas mais focadas e capacitadas para isso no momento.
Na prática, deixo de me responsabilizar pela DS e abdico do meu papel como principal canal esclarecedor de dúvidas. Também deixo a moderação da comunidade no Orkut. Por outro lado, o blog continuará publicando qualquer notícia pertinente sobre a revista. Incluindo capa e índice.
E como sempre aparece um ou outro para falar besteira, é bom deixar claro desde já: minha relação com toda a equipe da revista continua ótima como sempre foi. Nada de brigas, desavenças ou qualquer outra bobagem do tipo. Minha relação com Tormenta e com a Editora Jambô também continua a mesma e as portas da Dragon Slayer continuam abertas paras qualquer colaboração da minha parte.
É só uma progressão normal. A gente muda, cria outros interesses e toca a bola pra frente. Simples assim.
Sorte pra quem fica.
Cheers!
T.
Tuesday, March 17, 2009
Dragon Slayer - Um Breve Pronunciamento
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JMTrevisan
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Labels: Dr. Careca, Dragon Slayer
Conto - UM
Hey!
Vira e mexe aparece alguém aparece por aqui pedindo para que eu poste os contos que tinha em meu antigo (e finado) site, Gatos, Almas e 5 Cents. UM, é um deles. Se desapegar um pouco de seus textos antigos deve ser alog normal para qualquer autor. A cabeça da gente muda, o estilo muda e a gente passa a ver quinhentos defeitos onde antes só via uns dez. Com este texto não é diferente. Há muita coisa que me incomoda, mas ainda gosto de muita coisa também. Principalmente porque, apesar de melancólico como todos os outros escritos nessa época, é um conto mais realista. Sem elementos muito fatasiosos, sem nada de sobrenatural. Coisa rara nos meus textos em prosa.
Justamente por isso acabei resolvendo manter o texto como estava, desde que foi escrito há sei lá quantos anos (o Word me diz que o arquivo é de 2001, mas tenho a impressão de que a história é bem mais antiga que isso), mantendo intactas todas as suas imperfeições. Assim, além de ler uma boa história, você, leitor, ainda pode aprender com as burradas que cometi no passado. Parece um bom negócio não?
Uma curiosidade: não sei por que diabos, resolvi colocar no conto uma daquelas coisas obscuras que ninguém percebe. Um detalhezinho bizarro que só um psicopata descobriria sem qualquer tipo de ajuda (como até hoje ninguém notou, acho que tenho poucos psicopatas entre meus leitores. Não sei ainda se isso me deixa feliz ou decepcionado): cada conjunto de números apresentado na história forma, de algum modo, o número 666. Podem prestar atenção. A brincadeira dura até mais ou menos o meio do texto, o ponto onde o negócio deixou de ser divertido para virar uma encheção de saco.
É isso. Tentem se divertir. E se não gostarem, mintam nos comentários.;)
Eu queria um cigarro.
Provavelmente deve haver pelo menos mil e oitocentas coisas mais interessantes para se pedir nessa hora, mas quem se importa? Quando se chega nesse ponto o lance é seguir o que a gente sente, certo?
Faz exatamente seis meses. Pra falar a verdade faz seis meses, quatro dias, duas horas e seis minutos. Ah, não se supreenda com a exatidão dos números. Minha mãe sempre dizia que eu era bom nesse tipo de coisa. Contas, cálculos. . . nasci com talento para isso. Uns sabem cantar como Elvis Presley, outros jogam basquete como Michael Jordan ou abrem bem as pernas como Tracy Lords e Sharon Stone. Eu nasci com talento pra números. Fazer o que? Dizem que cada um tem apenas o que lhe é devido. E é bem provável que seja isso mesmo. Desde o inicio achei que este era um raciocínio verdadeiro. Pelo menos sempre fez sentido para mim.
Veja meu pai, por exemplo. Trabalhou durante vinte e quatro anos numa porcaria de um frigorífico. Dia e noite, chuva ou sol ele jamais faltou no emprego. Mesmo quando Victoria, gravida de seis meses teve de ser socorrida as pressas por uma ambulância devido a um desmaio (mais tarde descobriu-se que ela tinha um tumor maligno no cérebro e talvez não vivesse ate a véspera do próximo Natal. Uma pena, já que era a mais nova de nos. . . perdemos dois parentes de uma única vez). Mesmo quando, depois de nove anos sem vencer, nosso time ganhou o campeonato estadual por cinco a um e praticamente todos os seres vivos dessa maldita cidade foram ate a praça principal comemorar e soltar fogos de artificio. Mesmo com tudo isso papai jamais deixou de ir ao trabalho.
Até que sua obstinação e fidelidade foi finalmente recompensada. Numa das quarenta e duas vezes em que ele havia sido escalado para ajudar a descarregar a mercadoria (exatamente três dias e nove horas antes de poder se considerar devidamente aposentado), as pecas de boi despencaram do caminhão. Uma parte aterrissou precisamente em cima dele. Talvez a falha não tivesse nem sido do cara que prendeu a carne nos ganchos. Provavelmente meu pai devia estar velho demais para fazer tanto esforço e não tenha agüentado o peso. Mas ele jamais admitiria isso.
Ele não morreu desta vez. Não senhor. Tinha uma "saúde de ferro", como costumava dizer. Mas os duzentos e sessenta quilos de carne morta e congelada ficaram exatamente dezesseis minutos e trinta e três segundos em cima do infeliz. Talvez o peso sozinho não tivesse causado tanto dano, embora tenha despencado de uma altura bastante razoável, mas o frio dormente que emanava daquilo não ajudava nem um pouco.
Depois ficamos sabendo que haviam ocorrido doze fraturas em seis lugares diferentes. Para simplificar a historia, o coitado havia ficado paralítico para o resto da vida. Descontando-se o tom trágico do fato dava ate para rir: era a vingança tardia de pelo menos três dúzias de bovinos assassinados. Se fossemos todos vegetarianos isso provavelmente não teria acontecido. . .
O governo conseguiu uma grana razoável, suficiente para comprar uma cadeira de rodas decente mas bem menos do que precisávamos para adaptar a casa as novas condições. Dava para ter tirado muito mais do frigorifico se pudéssemos ter contado com a ajuda de um advogado mais competente. De qualquer forma, este é o modo como as coisas são.
Dava pena ver o velho se arrastando como uma mosca quase morta pela casa. Era difícil para ele, que havia sido um homem forte e saudável durante todos os seus cinqüenta e cinco anos, ter que se esforçar de maneira sobre-humana para percorrer os míseros treze metros que separavam a nossa casa da loja de discos da esquina. Adorava musica clássica (principalmente Bach) e fazia questão de ir comprar sozinho seus LPs preferidos. Ah, sim. Comprava vinil mesmo. Odiava CDs. Talvez aquelas bolachas pretas hoje quase pré-históricas tivessem algum tipo de magica para o coitado. Tinha um gosto musical refinado ate demais para um simples velho suburbano. . . mas era definitivamente incapaz de mudar seus hábitos.
O mesmo valia para seu comportamento em casa. Havia perdido a capacidade motora das pernas, é verdade, mas fazia questão de manter a postura e a autoridade que sempre tivera. Mandava em tudo e em todos e falava com a voz de um general. As vezes chegava a ser engraçado.
E foi sempre assim. Ate que um derrame paralisou o lado esquerdo da metade útil de seu corpo. Quando a gente contava muita gente achava que era brincadeira. As vezes é difícil acreditar que uma serie de acontecimentos infelizes possa acontecer com uma família como aconteceu conosco. Isso não é tipo de coisa que acontecia com pessoas normais. Não senhor. Só acontecia em alguns daqueles programas televisivos sensacionalistas ou com as "outras pessoas", não e mesmo? Gostaria de saber quem foi o idiota que disse que "um raio não cai duas vezes no mesmo lugar. . . "
Depois disso ele deixou de ser o homem que conhecíamos. Não era mais meu pai. Era só uma sombra chorosa que se arrastava pela casa do mesmo modo que um verme anda por dentro de uma fruta podre. A partir dai fui eu quem passou a comprar os discos. As vezes papai balbuciava e, com um pouco de esforço, eu conseguia entender seus pedidos mas ,para ele, não era a mesma coisa. Aquela sombra, pois já não era mais um homem, havia perdido tudo o que mais amava na vida. Tudo o que prezava. Nem a autoridade da qual tanto se orgulhava ele havia conseguido manter. A voz de general havia se transformado num suspiro quase ininteligível.
Dava para ver em seus olhos, na postura curvada da cabeça e nos ombros caídos em descaso o quanto seu coração parecia angustiado. O velho patriarca da família estava preso para sempre, mas só eu e ele enxergávamos as grades e as correntes. Mamãe limitava-se a chorar vez ou outra e a cumprir seus desígnios de esposa fiel (embora eu pudesse jurar que, as vezes, pude ouvi-la sussurrando furtivamente palavras doces ao telefone para algum admirador desconhecido. . . ). Meus quatro irmãos simplesmente não se importavam. Talvez Victoria também percebesse se ainda estivesse viva, mas ela havia nos deixado há exatamente um ano.
Papai morreu num sábado de junho. Sua cadeira de rodas não rolou pela dúzia e meia de degraus da escada que vinha dos quartos como era de se esperar. Não mesmo. Li isso num dos livros mais recentes de Stephen King e acredite. . . não e tão fácil de acontecer assim. Alem disso, papai jamais descia. Tudo era levado para ele. Comida, água. . . ate os banheiros ficavam na parte de cima, junto com o aparelho de som e uma minúscula TV preto e branco Panasonic. Papai jamais rolou da escada. Sua morte foi causada pela combinação explosiva de quatro variedades diferentes de tranqüilizantes e dois copos cheios de Jack Daniels.
A parte estranha de tudo era o fato das bebidas terem sido sempre guardadas na parte debaixo da escada. Papai foi encontrado em seu quarto, deitado na cama que o havia acolhido durante uma vida inteira. As janelas tremiam com o som alto e chiado das caixas de som, emitindo o que havia sido outrora uma gravação impecável de Tocata e Fuga em Re Menor pela Orquestra Sinfônica do Estado de Nova Iorque. Ele simplesmente adorava essa musica.
A enfermeira, que havia faltado justamente naquele dia foi dispensada sem maiores cerimonias. Um dia antes da missa de sétimo dia mamãe já podia ser vista de braços dados com Vítor, o dono da Vitrola e CIA, a loja onde meu pai havia fielmente comprado seus discos por tantos anos. Meus irmãos partiram, cada um para seu canto. E eu. . . bem, eu arranjei um emprego.
Passei a trabalhar num asilo. Uma "clinica geriátrica", como eles preferem chamar. Trabalhava cerca de seis horas por dia e tinha pelo menos um dia da semana livre. A clinica não era grande, é verdade (chegava no máximo a sessenta internos), mas era melhor assim. Ficava mais fácil de conhecer todos eles.
Os velhos iam parar lá pelos mais variados motivos. Alguns eram abandonados pela família, outros estavam doentes demais e precisavam de alguém que cuidasse deles vinte e quatro horas por dia. Outros, como a Sra. Jenkins por exemplo, se quer saiam da cama.
Lembro-me do Sr. McMannaman, que havia sido vitima de um derrame cerebral tão violento que seu corpo inteiro havia ficado paralisado. Somente seus olhos se mexiam e alimentação era feita através de uma sonda ligada diretamente ao estômago. A cama tinha um buraco que se ligava a uma enorme bacia através de um cano. Depois de um tempo seu intestino e bexiga deixaram de funcionar de maneira normal e se tornaram tão imprevisíveis quanto a previsão do tempo. Este foi o único jeito que encontramos para que o homem pudesse fazer suas necessidades com o mínimo de higiene.
Algum tempo depois fiquei sabendo que ele havia sido um dos grandes soldados da Segunda Guerra, do lado dos mocinhos. Seu nome não aparecia nos livros de historia, mas as medalhas que ele havia ganho forravam a parede norte do quarto, bem de frente para ele. E tudo que o velho McMannaman podia fazer era olhar para o os frutos de uma vida inteira dedicada a seu pais, enquanto uma enfermeira ,provavelmente mais nova que sua filha, recolhia a enorme bacia de fezes e urina (que tinha de ser retirada impreterivelmente de seis em seis horas e lavada em menos de cinco minutos, uma vez que tínhamos apenas uma daquelas).
A verdade é que, independente do motivo ou doença que os trazia ali, todos eles tinham o mesmo tipo de olhar. Um olhar parado e desinteressado, como o de um paciente sentado eternamente na sala de espera de um dentista psicopata, de um jogador de futebol nos minutos finais de uma partida perdida ou de um peixe que simplesmente desiste de se debater ao perceber que esta fora da água. Não é irônico, que todos aqueles que haviam feito tanto numa vida inteira, fossem obrigados a se arrastar injustamente por cada milímetro na corrida da vida durante os poucos metros que faltavam para a linha de chegada?
O fato e que eles sabiam disso. Tinham plena consciência e não podiam fazer nada. Absolutamente nada. Tudo o que podiam fazer era olhar e olhar. . . para o nada. Para um futuro que não viria. Para um final de vida sombrio, doloroso e humilhante. Para o prolongamento de uma existência que já havia cumprido o seu propósito. Todos tinham o mesmo olhar.
Do mesmo modo que meu pai naquele sábado de junho.
Do mesmo modo que ele observava a janela do quarto no momento em que eu lhe trouxe os quatro comprimidos e a garrafa de uísque. E acredite, posso jurar que ,momentos antes de sua cabeça tombar sobre o peito e a sinfonia de Bach emitir seus gloriosos acordes, pude ver um sorriso cruzar seus lábios. Não leve, e discreto como ele mesmo havia sido na flor de sua juventude, mas grande, satisfeito e decidido. Como o de quem sente a alegria do dever cumprido.
Podem dizer o que for, mas com um único gesto eu trouxe a paz que ele tanto queria. E fiz, em menos de cinco minutos mais do que nossa família inteira havia feito por ele durante toda a sua vida.
Acho que todos em casa sabiam o que eu havia feito. Mamãe, meus irmãos. . . ate mesmo a enfermeira. Todos sabiam. E nunca fizeram ou disseram nada. E sabe por que? Porque simplesmente não davam a mínima. Tinham anos e anos pela frente e provavelmente tinham coisas mais importantes para se preocupar do que com a morte de um velho inútil e paralítico. Mesmo que ele tivesse terminado daquele jeito justamente porque jamais admitiu que faltasse roupa, comida ou qualquer outra coisa em nossa casa por falta de dinheiro. Percebe o quão injustos podemos ser?
Foi por causa de tudo isso que disse ainda durante o julgamento, que meu pai havia sido o motivo de tudo. Foi a sua visão que me inspirou e me deu forcas para fazer o que alguém deveria ter feito muito antes de mim.
Foi exatamente por causa dele e da lembrança de sua lenta e dolorosa decadência que eu fiz o que fiz.
Por ele que entrei na clinica sorrateiramente naquela madrugada de sábado. Por ele abri cuidadosamente os lacres dos bujões de gás da cozinha tamanho industrial e tranquei todas as portas e janelas.
E por ele me afastei a uma distancia segura, coloquei uma moeda no telefone publico e liguei para a clinica, esperando apenas o momento em que a faisca da luz elétrica acesa por um empregado no momento em que fosse atender o telefone provocasse a explosão.
Você provavelmente deve ter lido sobre isso nos jornais. Duas enfermeiras e todos os internos morreram quase que instantaneamente. De acordo com os legistas a explosão foi tão violenta que não houve se quer tempo para que as vitimas sentissem o mínimo de dor. Só restaram cinzas, nada sobrou para ser enterrado.
Naquela noite eu chorei como uma criança, sentado na calcada em frente a clinica, vendo cada centímetro do lugar ser devorado pelas chamas e observando as almas daqueles que eu havia livrado da morte em vida dançando em meio a fumaça negra e subindo em direção ao Céu. E ali, ainda extasiado com a visão magica de tudo aquilo e incapaz de falar uma frase completa sem ser interrompido por violentos soluços, foi que a policia me encontrou. Há exatamente seis meses, quatro dias, três horas e cinco minutos.
Me chamam de assassino, de porco, de desalmado. Dizem que não tenho coração, que sou desajustado e não sirvo para viver em sociedade. Mesmo assim meu rosto esta em todos os jornais, é capa da Time, da Newsweek e de tantas revistas que eu provavelmente não seria capaz de citar o nome de todas durante o pouco tempo que ainda tenho. As emissoras me querem em seus programas de entrevistas e um diretor de cinema parece interessado em filmar minha "vida"(acrescentando provavelmente alguns delitos menores como estupro ou desejo sexual pela mãe a minha diminuta ficha de condutas ilícitas. Algo para chamar mais publico, entende?). Fazem tudo isso e eu realmente não ligo. Simplesmente não significa nada para mim.
Sei o que fiz, porque fiz e estou satisfeito comigo mesmo. Não me importo com o que pensam ou o que acham do meu feito. Não me importo. Vivi minha vida da melhor maneira possível e segui os preceitos de tudo aquilo que acreditava. Se ISSO é ser um monstro. . . então muita gente devia tentar. Acredite, não e tão ruim quanto se pensa.
E quando finalmente entrar naquela sala e estiver estendido na cama em forma de cruz. . . quando meus braços forem presos pelas correias de couro e as agulhas forem espetadas sem a menor delicadeza em minhas veias saltadas. . . quando as substancias químicas entrarem na minha corrente sangüínea e as convulsões finalmente começarem. . . eu não direi absolutamente nada. Abdicarei do direito de fazer uma ultima declaração ao mundo em troca de um único pedido:
Quero ter forcas para sorrir.
Um sorriso, satisfeito e tão decidido quanto o de meu pai.
Espero sinceramente que os parentes das "vitimas", aqueles que foram gentilmente convidados pelo estado para presenciar minha gloriosa punição, possam vê-lo. E que, a cada noite do resto de suas vidas, cada um deles se lembre daquele sorriso. . . ate que estejam velhos demais para sonhar, se mexer, ou ter uma vida decente sem ter que depender de estranhos ou de parentes distantes e insensíveis. Só nesse momento, sozinhos e abandonados num quarto com cheiro de mofo, fezes urina é que eles irão entender. E ai talvez seja tarde. . .
Quanto a mim, parto tranqüilo e com a alma infinitamente mais leve que a daqueles que deixo para trás. Pode acreditar.
Afinal de contas, é como se diz. Cada um tem apenas o que lhe é devido.
Nem mais.
Nem menos.
Cheers!
T.
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Monday, March 09, 2009
Review - Crayon Physics Deluxe
Aloha!
Nestes tempos em que os videogames evoluem a passos gigantescos e a crise financeira mundial obriga as produtoras a se arriscarem cada vez menos, fica difícil encontrar por aí algum jogo realmente diferente. Em geral, o que se vê são dezenas de continuações apoiadas em fórmulas testadas e aprovadas, gráficos cada vez mais realistas (exigindo TVs e monitores cada vez mais modernos) e valores de produção equivalentes aos mais caros filmes de Hoollywood.
Talvez por conta de todos estes fatores, Crayon Physics Deluxe seja uma supresa tão agradável. O objetivo do game - que teve sua primeira versão criada por Petri Purho em apenas cinco dias e arrematou o prêmio principal do Independent Games Festival 2008- não podia ser mais simples: conduzir uma pequena bola até cada estrela contida em um cenário aparentemente desenhado por uma criança com giz de cera.
Uma vez que o controle sobre os movimentos da bolinha é limitado (pode-se empurrá-la para a esquerda ou direita, mas não mais que isso) todo o processo é feito de maneira indireta. O jogador desenha objetos como bem entender e o game aplica as leis da física, considerando tamanho, peso e movimento. Assim, para fazer com que a bola atravesse um vão entre duas plataformas, basta traçar uma linha reta ligando as duas e empurrá-la.
Aos poucos os quebra-cabeças vão ficando mais complexos e mais recursos ficam à disposição do jogador (é possível desenhar cordas, pêndulos e trampolins, por exemplo). O interessante é que as soluções para cada quebra-cabeça são ilimitadas, já que dependem muito mais da criatividade do jogador do que de algum fator pré-determinado pelo game designer.
A versão full do game inclui mais de 50 níveis prontos, suporte a tablets e um editor de fases. Também é possível compartilhar suas criações ou baixar novos quebra-cabeças arquitetados por outros usuários através da internet.
Crayon Physics Deluxe está disponível para PC e já conta com um port para iPhone e iPod Touch.
Cheers!
T.
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Saturday, March 07, 2009
Who Watches the Watchmen? O Carecast!
Hrm!
Quinta-feira, graças ao Igor, toda a equipe do Carecast (com o reforço de Fabi e Sam Hart) compareceu à premiere de Watchmen, provavelmente a adaptação cinematográfica de uma série em quadrinhos mais esperada de todos os tempos. Como a gente não é de deixar nossos ouvintes/leitores na mão, não só tiramos fotos como também fizemos um videocast com as impressões de cada um sobre o filme!
Sensacional!
É isso aí. O Carecast está voltando...
Cheers!
T.
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Wednesday, March 04, 2009
Temporada de Caça
Hey!
É uma história longa, mas vou fazer o possível para encurtar. Há muito tempo, ainda na época da finada e bem enterrada Dragão Brasil, escrevi uma matéria em forma de pôster inspirada em um conto do Cassaro, chamado Masquerade. O artigo ampliava a história da sensual vampira Verônica, do jovem, rebelde e também vampiro, Douglas e da própria casa noturna que dava nome ao texto e servia de refúgio para os sanguessugas. O material fez sucesso e deu origem a um suplemento gratuito ainda mais amplo, chamado Temporada de Caça (que também teve versão pela editora Daemon).
Não sei em que parte da coisa toda alguém teve a idéia de um quadrinho sobre o "cenário". Eu faria o roteiro e o Greg (Tocchini) se encarregaria da arte. A coisa não decolou em boa parte por minha culpa. Tremi na base, fiquei inseguro e não tive peito suficiente para encarar o desafio.
Anos depois desenterramos a parte pronta do roteiro e as idéias. O Greg refez todo o design dos personagens e tudo parecia que ia dar certo. Mas eram outros tempos. O mercado americano estava aberto como nunca e o Greg estava começando a aproveitar as oportunidades. Além disso, é difícil para um desenhista manter o interesse em um projeto empacado há tanto tempo. E, verdade seja dita, eu continuava não sendo o mais rápido dos roteiristas (além de deixar a desejar na estruturação do próprio roteiro). Assim, a segunda encarnação da série voltou para a gaveta.
A boa notícia é que daquela vez algo concreto chegou a ser feito. Além de metade do roteiro, algumas páginas (que eu já mostrei em algum canto e o Greg provavelmente postou em uma das várias versões do seu site) também foram terminadas. O que a gente nunca tinha feito era juntar as duas coisas.
Ontem, relendo alguns textos antigos e inacabados enquanto conversava com meu amigo Barbi, fiquei com essa idéia na cabeça. Hoje resolvi pôr em prática.
É uma página só, é pouco, mas já serve para dar aquele aperto no coração. De todos os projetos inacabados esse é o que eu mais sinto muito por não ter tocado para frente (provavelmente empatado com a Black Máfia, mas esse ainda tem chances, certo Breno?).
Só não consegui decidir o que dói mais: ver os quadros desenhados e perceber que ainda são incríveis ou ler o roteiro e encontrar diálogos ótimos, apesar do amadorismo da época.
Assim que vi o resultado final do meu trabalho de exumação criativa, mandei um mail para o Greg, pedindo o restante das páginas. Caso ele ainda tenha os arquivos, vou tentar letreirar o resto também. Não vai ser o mesmo que ter a história completa, mas já é alguma coisa.:)
Cheers!
T.
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Saturday, February 21, 2009
O Carnaval do Laboratório
Ziriguidum!
Não gosto de carnaval. Acho chato pra cacete. Tudo bem, a mulherada sem roupa é legal, os carros alegóricos são bonitos, tem todo aquele colorido, a bateria, aquela brasilidade para gringo ver etc,etc,etc. Mas a profusão de música tosca que se é obrigado a ouvir , é de matar. Samba enredo, principalmente.
E aí, por um daqueles motivos que só alguma entidade superior é capaz de explicar, acordei hoje com uma idéia completamente retardada: fazer meu próprio samba-enredo. Como uma das regras básicas é escolher algo/alguém ou fato histórico para homenagear, escolhi os videogames.
E assim nasceu "Videogames: luz do passado, reflexo do futuro" (porque, afinal de contas, todo samba-enredo tem que ter um titulo pomposo, por mais tosco que seja), primeiro samba da Unidos do Carecast
Aqueça os seus tamborins e vamo simbora, que é carnaval!
(autoria de Carequinha do Laboratório)
Tudo começou lá nos 80
Quando o Atari apareceu
Tinha Pitfall, River Raid, Jungle Hunt
Ai, meu Deus!
(Ai meu Deus!)
O Enduro, doía o dedo
Porque não dava pra salvar
E nóis jogava, até de manhã cedo
E a molecada não queria mais parar!
(refrão)
Videogame é pra criança
E queima a televisão
Me dizia a mamãezinha
Para mim e pro meu irmão
Coitadinha da velhinha
Não sabia nada não
Videogame é esporte, alegria e diversão!
(Aaaaaaaaaaai!)
O Master System
Revolucionou
Alex Kidd e Black Belt
Quem será que não jogou?
E o Duck Hunt
Que era facinho
A menina é quem jogava
Com a pistola do vizinho!
(repete refrão)
Ainda tinha o Nintendinho
Dentro dessa geração
A Princesa e os Mario Brothers
Com aquele bigodão
Battletoads, Double Dragon
E cartucho piratão
Pra Nintendo americano
Lá dos china malandrão
(repete refrão)
Com o Mega Drive
A Tec Toy arrebentou a freguesia
Era popular
Tinha na loja, em casa e na padaria
(E o Super Nes!)
E o Super Nes!
Que todo mundo gostava
Tu jogava Castlevania
E no F-Zero eu detonava!
(repete refrão)
Dreamcast nunca vi
Game Cube não joguei
Mais do Sony Playstation
Todo mundo era freguês
O primeiro era da hora
Depois veio o dois e o três
Vamo ver se alguém se mexe
E desbloqueia de uma vez!
(repete refrão)
Se você tem videogame
E não brinca carnaval
Olha só que maravilha
Olha o que é mais legal
Você pode ficar em casa
Sem ninguém pra atrapalhar
Jogando o dia inteiro
Até essa porra terminar!
Lembrando que apesar de exigir uma certa habilidade, o samba é totalmente "cantável". Se você tem coragem ou muito álcool na cabeça, alguns amigos e pouco bom senso, grave que a gente inclue no primeiro Carecast que for possível!
Axé, digo, Cheers!
T.
PS. algumas plataformas foram deixadas de lado para encurtar o samba e preservar a sanidade do autor.
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Friday, February 20, 2009
Dragon Slayer #23 - Capa e Índice
Huh!
A edição 23 da Dragon Slayer está surpreendente. Tão surpreendente que eu nem sabia que estava na gráfica e só soube que estava nas bancas porque a algazarra dos leitores em festa podia ser ouvida a quilômetros de distância! Santa furtividade épica, Batman!
E como sou muito legal, um resumo do que você vai encontrar na revista:
Notícias do Bardo - O Terceiro Deus, Open Grave, Popstar RPG
Encontros Aleatórios - Tem alguém tentando agarrar alguém...
Reviews - Fortaleza no Pendor das Sombras, Livro Completo do Aventureiro, DragonMech
Mestre das Masmorras - Como plagiar...isto é, pegar coisas de outras histórias para sua aventura
Background - Coisas que você nuncap ensou em saber sobre a origem de Mestre Arsenal
Papéis de Combate - Assumindo a tradição do RPG massivo que invade o jogo de mesa
Chefe de Fase - Aquele troll parece meio grande, não...?
Classe de Prestígio - Le Parkour não precisa ser coisa do mundo moderno
Gazeta do Reinado - Homens-Cobra em Arton. Você pensa que isso não é novidade? Pense de novo...
Omnitrix - E o melhor: sem aquele moleque chato preso nele!
Skill Challenges - Você achou que isso era invenção da 4E?
Mechas - Robôs gigantes para Sistema D20 em regras que não deixam você doido.
Templo do Inseto-Rei - Se você não entrou antes, agora vai
Meio-Elfos - Você não joga com eles? Nem nós, mas fazer o quê...
Templo do Inseto-Rei - De novo?! Não, desta vez é uma HQ quase inédita (mas espera, ele não tinha quatro braços...?)
Cheers!
T.
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Wednesday, February 18, 2009
Hora do Exercício - Dr. Careca Responde #1
Yeah!
Eu tinha pedido sugestões no último tópico e acabei tendo uma idéia. Alguns temas são legais, mas nem sempre eu tenho dicas suficientes na hora para escrever um post inteiro, além de não ter a menor intenção de enrolar ninguém dando conselhos furados só para encher linguiça. Por outro lado, acho chato não tirar as dúvidas da galera na hora.
Como nem sempre o pessoal checa os comentários, resolvi criar uma outra seção dentro do Hora do Exercício: a Dr. Careca Responde. Assim posso pegar as dúvidas que o pessoal posta vez ou outra e responder na forma de post para todo mundo ver.
Boa idéia não? Também achei!:)
Para começar, temos duas perguntas!
Rod's pergunta: "Quando eu vou escrever um texto, eu rapidamente me deparo com as descrições de personagens. Quando eu descrevo os personagens, às vezes, o clímax da história desaparece, perdendo o foco da história. Quando é um personagem que logo desaparece, se eu não descrevo deixo o texto pobre, se descrevo deixo o texto lerdo. Algum exercício, Dr.?"
Dr. Careca reponde: Descrever é uma questão de estilo. Tem gente que adora. Eu nunca curti muito (devia tentar fazer um texto descritivo qualquer dia, só para testar). Em geral discuto só as características marcantes de cada personagem, sem interromper a história para isso.
Se você reparar, a única coisa relevante que descrevo sobre Dreevack, de As Aventuras e Desventuras de Rykaard Ackhenbury é o fato de ele se parecer com um pequeno orc. E isso é feito através da narrativa, contando a história de como ele caiu da árvore e como as crianças o perseguiam só porque ele era feio.
O importante é não parar tudo só para fazer a descrição. E lembrar que nem todo personagem deve ser descrito com todos os detalhes do mundo.
Fellipe Arcano pergunta: "Comigo é meio diferente. Do nada vem uns surtos de empolgação e começo a escrever maravilhosamente bem, depois essa chama se apaga e eu fico meio perdido. Dr, tem alguma dica? Me disseram uma vez que eu devia ir escrevendo até o fim, somente para depois poder analisar e revisar os textos".
Dr. Careca reponde: Isso é bem normal e acontece comigo o tempo todo. J&L, por exemplo, é um conto que ficou quatro anos parado porque eu não conseguia encaixar o último parágrafo. A idéia do encontro entre Rykaard e o bardo (que nem nome tem ainda) em As Aventuras e Desventuras de Rykaard Ackhenbury estava rascunhada muito antes de o capítulo 3 ficar pronto, mas eu precisava esperar a hora certa de desenvolver a história. Já Randar Axeblade morreu na praia porque eu nunca encontrei um modo satisfatório de continuar a história.
O que costumo fazer nessas horas é não forçar a barra. Deixe o texto "descansar", esqueça que ele existe, escreva outras coisas, vá namorar, beber, jogar videogame...qualquer coisa. Uns dias ou semanas depois, releia, corrija o que estiver errado e em seguida é muito provável que a empolgação volte.
Por hoje é só!
Cheers!
T.
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JMTrevisan
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Hora do Exercício - Extras
Ayo!
Começo de ano é aquele inferno: nada funciona direito antes do Carnaval. Descobri que o blog também não. E para ajudar ainda mais, resolveram fazer uma reforma na cozinha aqui de casa. Tem idéia do que é tentar escrever com um cara martelando o outro lado da parede que fica BEM na sua frente? E ainda tem trabalho da Rolling Stone...
Enfim, por conta de tudo isso, resolvi fazer um episódio extra de Hora do Exercício. Ou melhor: um episódio de extras. Escaneei as páginas do meu caderno de notas, com os rascunhos dos exemplos que usei nas outras lições (e alguns extras).
Os que conseguirem entender minha letra (que normalmente é bem decente, mas vira uma espécie de escrita criptografada que só eu entendo, quando estou empolgado com alguma idéia) verão como o primeiro rascunho é bruto, comparado ao produto final. Algumas histórias mudaram totalmente de uma versão para a outra...
Valentine
Hora do Exercício - Passado ou Presente?
Hora do Exercício - Passado ou Presente?
Rykaard Ackhenbury - Episódio 5Cheers!
T.
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Friday, February 13, 2009
PS3 + GoW3 = OMFG!!!
Ae!
Primeiro de tudo: sou contra a guerra entre fãs de consoles. Esse negócio de "sonystas" e "caixistas" é coisa de criança que não tem nada o que fazer. Por outro lado, quando levada em tom da brincadeira, da rivalidade sadia, até que o negócio é divertido. Como fã confesso da Sony, dois jogos me fizeram defender o Playstation 3 como a máquina suprema de games: Metal Gear Solid 4 e God of War 3.
Embora (ainda) não tenha tido o prazer de jogar, acho que já ficou bem claro que tanto a crítica quanto o público se renderam sem muita resistência ao talento do mestre Hideo Kojima e sua obra-de-arte.
Já GoW3 ainda não tem data de lançamento, mas teve ontem seu segundo trailer divulgado. E, pelas tetas de Afrodite, que trailer!
E isso é só o começo.
O consenso geral é que GoW3 (junto com Kill Zone 2) seja o jogo exclusivo que falta para deslanchar de vez as vendas do console. Rivalidades a parte, se eu fosse o povo da Microsoft, começava a me coçar...
Cheers!
T.
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SPAM of the Week #8
Hola!
Tá certo. Não é exatamente um SPAM of the Week porque eu não recebi por e-mail. Na verdade, acabei encontrando por acaso. O fato é que a foto é tão boa, mas tão boa que eu precisava achar uma boa desculpa para colocar aqui no blog.
Sendo assim, lá vai...
Juro que eu dava o que tivesse no bolso.
Cheers!
T.
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Valentine
Hoh!
Nunca liguei para poemas. Alias, não gosto de poemas. Nem sei diferenciar de poesia, na real. Acho meio chato, a maioria é subjetiva demais, etérea demais, cabeçuda demais ou inteligente demais para mim. Por conta disso, nunca me arrisquei muito a escrever esse tipo de texto. Rima, se você não faz direito, é algo que acaba soando besta, infantil e gratuita. E apesar de ter me arriscado a compor músicas - que, na verdade, é algo diferente apesar de parecer igual - acho que não é bem minha praia.
Palmas para quem gosta, se interessa e consegue fazer algo bom no gênero, mas eu não sou um deles. Pelo menos não em português. Daqui a uns anos, vai saber.
Apesar de tudo isso, fiquei fascinado pelos poemas (ou poesias, dammit?) que o Neil Gaiman costuma colocar no meio de suas coletâneas de contos (meus preferidos estão no Smoke and Mirrors - ou Fumaças e Espelhos, para quem prefere a versão nacional). São textos rápidos, divertidos, ágeis e fáceis de entender, além de não fugirem muito do estilo de prosa dele.
E aí, sei lá por que, vez ou outra me aparecem umas idéias nesse formato. E em inglês. Valentine, que escrevi ontem à noite, é uma dessas:
His name was Valentine
Had a job that was just fine
As his pet, a porcupine
And its nickname was “Swine”
His name was Valentine
Living only to survive
Always fearing to cross the line
In his pocket, not a dime
His name was Valentine
Eating fish that he won’t fry
Watching people passing by
Dancing, singing, grinning sly
Poor, old, crazy Valentine
O que eu mais curto é que vem quase tudo pronto na cabeça.
Passei o dia dando de cara com banners do Valentine's Day (O Dia dos Namorados gringo) e fiquei pensando: "Fica todo mundo aí comemorando...mas e se o tal Valentine fosse um cara ferrado na vida?". Uns dois segundos depois me veio a primeira frase e a coisa deslanchou.
Até pensei em botar uma foto para ilustrar ou tentar desenhar a minha versão do Valentine, mas prefiro que cada um tenha a sua.
Quem quiser se arriscar, pode mandar sua interpretação através dos comentários!
Cheers!
T.
PS/Edit: só para não cometer uma injustiça, outra influência do texto foi a rima original de Solomon Grundy (que depois virou vilão da DC): Solomon Grundy/Born on a Monday/Christened on Tuesday/Married on Wednesday/Took ill on Thursday/Grew worse on Friday/Died on Saturday/Buried on Sunday/That was the end of Solomon Grundy.
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Thursday, February 12, 2009
Landau 66 - Festival do Júri Popular - Sessão Cancelada em SP
Aloha!
De acordo com um comunicado recebido hoje, foi cancelada a sessão da Mostra Competitiva 4 que se realizaria no Cine Olido, em São Paulo, e que apresentaria o curta Landau 66. A mostra faria parte do Festival do Júri Popular.
Portanto, se você mora na capital paulista, vai ter que esperar por uma nova oportunidade. Uma pena, já que o dia e o horário combinavam tanto (sexta-feira 13, 13 horas)...
Cheers!
T.
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Saturday, February 07, 2009
SPAM of the Week #7
Prezado Cliente,
O Banco Bradesco S.A. começa 2000inove lançando um
novo Dispositivos de Segurança.Para sua maior
segurança, antes de realizar, pelo Bradesco Internet
Banking, algum dos serviços relacionados, é necessário
que você faça a intalação do Componente de Segurança
em seu computador.
A utilização dos Dispositivos de Segurança é
obrigatória para realização das transações
contábeis.
Inovador e de fácil instalação, em apenas 5 minutos
você instala, se cadastra e estará pronto para
realizarsuas transações no Bradesco Internet Banking
com muito mais segurança e comodidade.
Acesse o site abaixo e siga as instruções.
Por uma questão de segurança, o tempo estabelecido
para a intalação do Componente de Segurança em seu
computador é de 48 (Quarenta e oito) horas. Excedido
esse tempo, o acesso ao Bradesco Internet Banking
será temporariamente suspenso.Legal. Pena que eu não sou cliente do tal banco e nunca cadastrei meu mail em nenhum site dos caras...
Cheers!
T.
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Wednesday, February 04, 2009
Hora do Exercício - Escrever é Reescrever
Ahoy!
Em primeiro lugar "a César o que é de César": quem disse "escrever é reescrever" - ou pelo menos o autor do texto onde li esta frase pela primeira vez - foi Stephen King, não eu. Muita gente odeia os livros do cara, mas independentemente da qualidade, foi a partir da obra dele que aprendi muito do que sei hoje (o que pode explicar muita coisa sobre a qualidade do meu próprio material, para o bem ou para o mal).
Enfim, "escrever é reescrever" e você vai se lembrar desta frase para o resto da vida, quer ache A Coisa um dos livros mais legais do mundo, quer não.
A maioria dos escritores principiantes - e talvez este seja um dos fatores que dividem "os meninos dos homens", digamos assim - acha que escrever é o simples ato de arrancar uma idéia das profundezas do cérebro, jogar no papel e mostrar para o primeiro infeliz com boa vontade que aparecer pela frente. O que, nos tempos modernos em que vivemos, significa mandar por e-mail para todos os seus amigos, enviar para um grupo de escritores amadores no Orkut (ou em fóruns e listas de discussão) ou postar em um blog bem parecido com este aqui.
Sinto muito, meninos e meninas, mas não é assim que a coisa funciona. Ou melhor: é assim que a coisa funciona, mas não é como deveria funcionar.
Quando se começa a escrever uma história, a coisa flui de uma maneira cru. Não é o momento para conter idéias, se preocupar com estrutura ou erros de português. É vomitar no papel mesmo. Só que este "vômito" não é sua história. É algo bruto que precisa ser lapidado.
Com a idéia no papel é hora de esquecer que ela existe. Feche o arquivo e ignore-o por uns dias. Há grandes chances de que você se empolgue e queira fazer uma primeira revisão logo após ter escrito sua primeira versão, mas tente se segurar. Nessa hora a gente ainda está apaixonado demais pelas próprias idéias para ter a frieza e o olhar clínico necessários para diagnosticar seus defeitos.
Passado este tempo, retome a história. Agora sim é hora de arrumar os erros de português e organizar a estrutura dos parágrafos. É normal acrescentar novas passagens, aperfeiçoar diálogos, inserir novas idéias e plantar plots que poderão se desenvolver mais para a frente. Feito isso, feche o arquivo e esqueça-o de novo.
Repita o processo alguns dias depois e quantas vezes forem necessárias para que você possa olhar seu texto e ter certeza de que ali está algo bem próximo do ideal. Não acho que exista uma fórmula capaz de indicar uma quantidade exata de revisões. Varia de obra para obra, de autor para autor.
Como nenhuma dica funciona sem um exemplo prático, aqui vai algo baseado (como sempre) no meu próprio trabalho. Trata-se de um trecho do quinto episódio de As Aventuras e Desventuras de Rykaard Ackhenbury (se você ainda não leu, ainda há tempo de recuperar o tempo perdido. Se já leu, deixe seu comentário!) e suas várias versões de acordo com as revisões que fui fazendo. Leia mais de uma vez, se for preciso, prestando atenção às mudanças:
- Primeira Versão
Dessa vez não sei o que aconteceu. Mas não foi comoquando entrei na arca.Havia um caminho de pedras. Isso eu podia ver. Mas não havia placas de sinalização nem casas na beira da estrada. Também não vi plantações ou bichos correndo pra lá e pra cá. A chuva tinha voltado mas, naquela altura do campeonato já não fazia mais diferença mesmo. Minhas roupas já estavam mais do que ensopadas, cortesia di mergulho involuntário pouco tempo antes. E o pior é que eu tinha fome.
- Segunda Versão
Dessa vez não sei o que aconteceu. Mas não foi como quando entrei na arca, disso tenho certeza. Nada de sensação de estar caindo. Nada de luzes. Nada de nada, para falar a verdade. Acho que o que aconteceu quando entrei no caldeirão foi que apaguei.
Acordar foi uma experiência gradual. Primeiro um zunido bem lá no fundo. Depois a percepção de estar deitado, a sensação de gotas caindo na minha cara e finalmente a constatação de que estava deitado na grama à beira de uma estrada de terra enlameada. A colher de ferro firme na mão direita e o medalhão vagabundo pendurado no pescoço.E na chuva. E ensopado.
Onde, exatamente? Ótima pergunta.
Não havia nenhuma placas indicando qualquer caminho. nem casas por perto. Também não vi plantações ou bichos correndo pra lá e pra cá. A primeira coisa que pensei é que em poucos minutos algum grupo de bandidos ou monstros ia aparecer do nada pelo simples fato de eu estar no meio do caminho de não sei onde para lugar nenhum. Afinal, isso é o que a gente ouve falar que acontece com quem se mete nesse tipo de idiotice. Mas para a minha felicidade e para a infelicidade de quem ouve essa parte da história, nada demais aconteceu. Não naquele exato momento pelo menos.
- Terceira Versão
Dessa vez não sei o que aconteceu. Mas não foi como quando entrei na arca, disso tenho certeza. Nada de sensação de estar caindo. Nada de luzes. Nada de nada, para falar a verdade. Acho que o que aconteceu quando entrei no caldeirão foi que apaguei.
Acordar foi uma experiência gradual. Primeiro um zunido bem lá no fundo. Depois a percepção de estar deitado, a sensação de gotas caindo na minha cara e finalmente a constatação de que estava deitado na grama à beira de uma estrada de terra enlameada. A colher de ferro firme na mão direita e o medalhão vagabundo pendurado no pescoço. E na chuva.
Onde, exatamente? Ótima pergunta.
Não havia nenhuma placa indicando qualquer direção ou local. Nem casas por perto. Também não vi plantações ou bichos correndo pra lá e pra cá. A primeira coisa que passou pela minha cabeça foi algo que ouvi uma vez em uma conversa do meu pai com um taverneiro em Altrim: se você se vê sozinho em uma estrada desconhecida, é só uma questão de tempo até que meia dúzia de monstros bizarros apareçam literalmente do nada para te atacar, roubar, destroçar e mais uma porção de coisas desaconselháveis para qualquer pessoa que pretenda ter uma vida longa e saudável. É como uma daquelas leis místicas ou divinas que regem o mundo e foram criadas sabe-se lá por que ou por quem.
- Quarta Versão
Dessa vez não sei o que aconteceu. Mas não foi como quando entrei na arca, disso tenho certeza. Nada de sensação de estar caindo. Nada de luzes. Nada de nada, para falar a verdade. Acho que o que aconteceu quando entrei no caldeirão foi que apaguei.
Acordar foi uma experiência gradual. Primeiro um zunido bem lá no fundo. Depois a percepção de estar deitado, a sensação de gotas caindo na minha cara e finalmente a constatação de que estava deitado na grama à beira de uma estrada de terra enlameada. A colher de ferro firme na mão direita e o medalhão vagabundo pendurado no pescoço. E na chuva.
Onde em Arton, exatamente? Ótima pergunta. Não havia nenhuma placa indicando qualquer direção ou local. Nem casas por perto. Também não vi plantações ou bichos correndo pra lá e pra cá.
A primeira coisa que passou pela minha cabeça foi algo que ouvi uma vez em uma conversa do meu pai com um taverneiro em Altrim: se você se vê sozinho em uma estrada desconhecida, é só uma questão de tempo até que meia dúzia de monstros bizarros apareçam literalmente do nada para te atacar, roubar, destroçar e mais uma porção de coisas desaconselháveis para qualquer pessoa que pretenda ter uma vida longa e saudável. É como uma daquelas leis místicas ou divinas que regem o mundo e foram criadas sabe-se lá por que ou por quem.
Percebam como o texto vai do caos da primeira versão (tirada do meu caderno de anotações, quando o episódio quatro ainda não estava sequer definido ainda) e passa por mudanças sutis de termos, idéias e quebras de parágrafos até chegar à versão definitiva.
Se você acha difícil adquirir o hábito da revisão, aqui vai uma dica: compre um caderno, uma caneta (lápis, nunca) e passe a usá-los na hora de escrver a primeira versão de seu roteiro ou conto. Isso vai obrigá-lo a reler o texto na hora de passar para o computador, garantindo ao menos uma revisão.
O que já é muito bom, mas ainda está longe do ideal.
Cheers!
T.
PS. o texto deste artigo foi revisado cinco vezes, antes de ser postado.;)
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Dica do Igor #2 - Aniversário do Igor + Batman + Imax!
WHY SO SERIOUS? É o aniversário do Igor!
Olá leitores e ouvintes do Blog e do Carecast (em breve retornaremos!). Convite aberto a todos. Dia 7 de fevereiro, sábado, completo 29 anos, entrando assim no meu último ano de vida na casa dos "vinte" (a não ser que eu chegue aos 120... será?).
Para comemorar esta data especial estou mobilizando uma das maiores reuniões temáticas "nerdvanas" da minha vida: já consegui 31 amigos para assistir a BATMAN – O CAVALEIRO DAS TREVAS na recém inaugurada sala IMAX do Shopping Bourbon Pompéia, aqui em São Paulo.
Eu, Careca e muitos outros amigos (menos Zulu e Breno, que estão na Comic Con NY) estaremos nas fileiras I e J, lugares do 9 ao 24, da sessão das 18h.
Garanta seu ingresso com lugar marcado no Ingresso.com e apareça. Eu já garanti!
IMAX, IPHONE, IGOR... As melhores coisas começam com "I", percebeu? : )
O IMAX é uma experiência top de linha para qualquer cinéfilo e tem formado filas e esgotado sessões desde sua estréia no Brasil, há três semanas, com o documentário de 45 minutos "Fundo do Mar 3D" (que é BEM LEGAL!).
Criado no Canadá na década de 70, este sistema se utiliza de película de 70mm (as tradicionais têm 35mm), e um sistema de som quatro vezes mais potente que o habitual. A tela da sala do Pompéia tem 15 metros de altura por 20 de largura e é ligeiramente côncava, além de ser toda furada por minúsculos buracos, que permitem uma saída extra de som diretamente para a platéia. A sala alta, ao estilo stadium, impressiona.
O que torna a experiência de assistir a BATMAN – O CAVALEIRO DAS TREVAS neste sistema, além do filme ser o melhor do ano, melhor adaptação de quadrinhos de todos os tempos, recordista de bilheteria, etc, etc, é que Christopher Nolan e a Warner tomaram uma decisão inédita de registrar seis seqüências do longa nesta película de 70mm. Ou seja, existem trechos do filme que foram DIMINUÍDOS para caber naquela versão que você viu no cinema pela primeira vez. No IMAX teremos BATMAN em sua real dimensão pela primeira vez. Eu já estou "with a smile on my face".
O filme estréia no IMAX dia 6 de fevereiro e deve ficar no cinema ao menos por um mês, dando em março espaço para WATCHMEN. Fãs de quadrinhos e cinema de outras cidades, eu já procuraria passagens de avião em promoção para São Paulo...
Tem um vídeo bacana no Youtube com mais informações sobre IMAX e BATMAN:
Abraços, até... tchau!
Igor
BATMAN – O CAVALEIRO DAS TREVAS
Dia 7 de fevereiro, sábado, 18h
30 reais inteira / 15 reais carteirinha
Endereço: Shopping Bourbon Pompéia, (Rua Turiassu 2100 – São Paulo)
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Tuesday, February 03, 2009
Tormenta: As Aventuras e Desventuras de Rykaard Ackhenbury - Episódio 5
Uhu!
Em tempo recorde, aqui vai mais um episódio de As Aventuras e Desventuras de Rykaard Ackhenbury! É engraçado, porque a idéia deste capítulo e - principalmente - a imagem do personagem que aparece nesta parte da história, tem estado fixa na minha cabeça há quase um ano. Colocar tudo isso para fora dá uma sensação de alívio que vocês não tem idéia. O melhor é que o episódio 6 vai ser baseado em uma idéia ainda mais antiga.
Para quem não tem a menor idéia do que estou falando, "As Aventuras e Desventuras de Rykaard Ackhenbury" é uma série em capítulos sem periodicidade definida (por enquanto), ambientada em Arton, o mundo do RPG Tormenta.
Para ler os capítulos anteriores, basta clicar no link correspondente
- Capítulos 1 e 2
- Capítulo 3
- Capítulo 4
- Sketchbook
As Aventuras e Desventuras de Rykaard Ackhenbury
Episódio 5
Dessa vez não sei o que aconteceu. Mas não foi como quando entrei na arca, disso tenho certeza. Nada de sensação de estar caindo. Nada de luzes. Nada de nada, para falar a verdade. Acho que o que aconteceu quando entrei no caldeirão foi que apaguei.
Acordar foi uma experiência gradual. Primeiro um zunido bem lá no fundo. Depois a percepção de estar deitado, a sensação de gotas caindo na minha cara e finalmente a constatação de que estava deitado na grama à beira de uma estrada de terra enlameada. A colher de ferro firme na mão direita e o medalhão vagabundo pendurado no pescoço. E na chuva.
Onde em Arton, exatamente? Ótima pergunta.Não havia nenhuma placa indicando qualquer direção ou local. Nem casas por perto. Também não vi plantações ou bichos correndo pra lá e pra cá.
A primeira coisa que passou pela minha cabeça foi algo que ouvi uma vez em uma conversa do meu pai com um taverneiro em Altrim: se você se vê sozinho em uma estrada desconhecida, é só uma questão de tempo até que meia dúzia de monstros bizarros apareçam literalmente do nada para te atacar, roubar, destroçar e mais uma porção de coisas desaconselháveis para qualquer pessoa que pretenda ter uma vida longa e saudável. É como uma daquelas leis místicas ou divinas que regem o mundo e foram criadas sabe-se lá por que ou por quem.
Como tudo que é criado em Arton sem motivo ou finalidade é coisa de Nimb, fechei os olhos por um instante e rezei – ou melhor, implorei – para que o Deus do Caos, da Sorte e do Azar mantivesse seus monstros longe da minha jovem carcaça. E deu certo. Para a minha felicidade e desapontamento de quem ouve essa parte da história, nada de mais emocionante aconteceu. Não naquele exato momento, pelo menos.
Só a chuva apertou ainda mais – e talvez eu pudesse ter evitado que isso acontecesse se tivesse dedicado um pouquinho da minha reza a Allihanna, Deusa da Natureza – mas a verdade é que naquela altura do campeonato já não fazia mais diferença mesmo. Minhas roupas já estavam mais do que ensopadas. E o pior é que eu tinha fome. E além da fome, meu corpo doía.
O fato é que no meio do tamborilar dos pingos caindo nas poças, ouvi algo bem estranho. Na verdade, estranho não. Fora de lugar, seria o termo mais correto. Era uma música.
Achei que estivesse delirando. Podia ser muito bem um efeito colateral da magia do velho doido. Pode ser que o modo como me lembro disso tudo hoje em dia seja meio distorcido. Alguém me disse uma vez que a gente nunca lembra as coisas como elas realmente aconteceram. O tempo passa e muito do que aconteceu fica pelo caminho por que a gente é obrigado a descartar certas coisas da cabeça para ocupar com outras novas. Ou talvez seja só o fato de que tudo passa a funcionar errado conforme a gente vai ficando velho e gasto, embaralhando uma memória na outra e juntando fatos que na realidade não tinham nada a ver um com o outro, fazendo com que a gente passe a lembrar tudo meio errado.
A verdade é que, independente de tudo isso, a impressão que eu tinha – e ainda tenho – é que a música era tão nítida, que o som reverberava acima do barulho do vento e da chuva. Sei que deve ser díficil de entender, mas não me peça para explicar mais que isso. Não sou bom nessas coisas.
Só depois de muito tempo é que avistei mais a frente, sentado em uma pedra na beira do caminho, o responsável pela melodia: era um bardo, tocando uma lira. O estranho é que os olhos dele estavam vendados com um lenço vermelho e ele tocava como se nem percebesse a chuva que caía, acompanhando o ritmo com a cabeça e mantendo a cadência batendo o pé direito no chão cheio de terra lamacenta.
Fiquei ali parado um instante, olhando meio hipnotizado. Tentando entender porque o cara tinha resolvido tocar justo ali e pensando comigo mesmo se valia a pena interromper a música para pedir alguma informação. Achei melhor não.
Bardo ou o que quer que fosse, alguém sentado no meio da chuva, tocando lira de olhos vendados podia ser tudo, menos normal. E eu já tinha tido minha cota de loucura na caverna do velho. Era melhor continuar andando, encontrar uma estalagem, uma casa, um abrigo, qualquer lugar onde pudesse me abrigar da chuva e me aquecer.
Quando dei o primeiro passo, a música parou.
– Ei garoto – era o bardo – Tem um Tibar?
Mesmo sabendo que não tinha nada, procurei nos bolsos.
- Não. Só tenho – melhor não falar do medalhão – uma colher de ferro.
O bardo dedilhou uma sequência de notas vibrantes, como se minha resposta por si só tivesse sido um grande acontecimento.
- É melhor do que nada. Posso lhe contar uma história pela colher. O que me diz? Parece um bom trato?
Pensei comigo mesmo, como costumava fazer sempre em situações como essa. Já estava perdido, já estava molhado e duvidava muito que um dia aquela porcaria velha e enferrujada fosse servir para alguma coisa. Estendi a colher para o bardo, que a colocou em um saco de couro ao lado da pedra em que estava sentado e sorriu. Seus dedos dançaram rápidos pelas cordas da lira.
E foi esta a história que ele contou...
Cheers!
T.
PS. é...eu sei. Essa foi cruel.:)
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SPAM of the Week #6
Hey!
Esse é bem longo, mas é também - de longe - o mais elaborado de todos até agora. Tenho certeza que um ou outro desavisado metido a esperto deve ter caído.
I am Mr. Bob Chen of The Bank of East Asia Limited, Hacienda Heights Branch, California USA) I am contacting you based on Trust and confidentiality that will be attached to this transaction. The Management and the Legal department of our bank (THE BANK OF EAST ASIA LIMITED) in a recent meeting recommended that the account of MR. JAMES D.CLEERE, who was one of my branch depositors, should be declared Dormant, confiscated and the depositor's fund sent to the Bank Treasury according to American Banking and financial law. He died in world trade center as a victim of the September 11,2001 incident that befall the United States of America. The bank has made series of efforts to contact any of the relatives to claim this money but without success, you can confirm through this site:
http://www.september11victims.com/september11Victims/victims_list.htm
OR
http://www.september11victims.com/september11Victims/VictimInfo.asp?ID=744
MR. JAMES D.CLEERE is an account holder in my branch; he owns a dollar account with the sum of US$58.2M (Fifty Eight Million, two Hundred Thousand United States Dollars Only) deposited in a Secret account with my branch. In fact, since his death, no next of kin of the account holder (the brother) nor any relative of him has shown up for the claim this is because he has the account as a secret account thus he left all the documents for the deposit with me.
This is where I am interested and where I want you to come in. I want you to come in as the relation of the deceased; I will give you the relevant documents and contacts to file the application and then effect the approvals for the transfer of the money, I will be the one to provide the vital documents for the claims of the money and then advise you exactly how we should handle it.
Please include your telephone/fax number/ Home address when replying this mail and I will give you more information as soon as you indicate your willingness to assist in this transaction. We will use our positions to get all internal documentations to back up the claims. Do not be bothered that you are not related in any way to him as I am in position to affix your name as the next of kin.
The whole Procedures will last only 7 working days to get the fund retrieved successfully without trace even in future. After the transfer of the money we shall share the money 60-40, that is I will have 60% while you will have 40%.
Kindly respond promptly so that I can advice you on the next step to follow.
I will be waiting to hear from you.
Yours truly,
Bob Chen
The Bank of East Asia Limited
É mole?
Cheers!
T.
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